Arquivo/Estadão
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Fittipaldi revela medo de morrer e nervosismo na temporada de 1974

Piloto da McLaren conta ter passado a noite em claro antes de decidir o Mundial, que ficou marcado pela morte de dois pilotos

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2014 | 07h00

Há exatos 40 anos, Emerson Fittipaldi viveu um dia de extrema tensão. Era a última corrida do Mundial de Fórmula 1 1974 e, na noite anterior ao GP dos Estados Unidos, o piloto da McLaren experimentou uma sensação intensa de nervosismo que seria rara no restante da carreira. "Foi uma das únicas noites em que não dormi antes de uma competição. Até mesmo em Indianápolis, que é uma pressão muito maior, por ser um grande evento, não tive esse problema", contou o ex-piloto.

O principal culpado por tirar o sono do brasileiro se chamava Clay Regazzoni, piloto suíço da Ferrari. Os dois chegaram empatados em 52 pontos na última etapa daquele Mundial. Portanto, a conta era simples: quem terminasse na frente seria o campeão. Também estava na disputa o sul-africano Jody Scheckter, da Tyrrel, com 45 pontos e chances remotas de título. "Nunca imaginei que na última prova ia estar empatado com a Ferrari, a nossa grande rival. Foi muita tensão e não dormi direito", admitiu Emerson, que havia sido vice-campeão no ano anterior.



Na corrida, realizada em Watkins Glen, Fittipaldi saiu em oitavo lugar, com o rival logo atrás, em nono. O brasileiro perdeu a posição para o suíço na largada, mas recuperou o posto ainda na primeira volta. O título ficou mais perto quando Regazzoni teve problemas mecânicos, parou nos boxes e caiu para a 20ª posição. Emerson fez corrida tranquila, chegou em quarto lugar e marcou três pontos, contra nenhum do suíço, que chegou em 11º. Scheckter abandonou.

A menção ao título conquistado naquele 6 de outubro provoca no ex-piloto lembranças de como era diferente o ambiente da Fórmula 1 há 40 anos. Fotos da época mostram, por exemplo, os pilotos juntos em jantares e até em momentos mais descontraídos, como em um jogo de críquete. "Naquela época, acho que pelo alto risco que a gente tinha, fora do cockpit os pilotos tinham uma ligação muito grande. A gente nunca sabia quem estaria lá na próxima corrida", explicou. A década de 1970 foi marcada pelos vários acidentes graves. Entre 1973 e 1975, por exemplo, cinco pilotos morreram na categoria.

A corrida do título de Emerson teve o acidente fatal do austríaco Helmuth Koinigg. No mesmo ano, o americano Peter Revson morreu durante os treinos para o GP da África do Sul.

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