Fittipaldi vê quarta geração em Interlagos

Kartódromo de Interlagos, ontem, 12h30. Emerson Fittipaldi ajuda o neto Pietro, de apenas 7 anos, a vestir as luvas e, com a manga do macacão vermelho da Penske, seu ex-time na Cart, limpa com enorme carinho a viseira do capacete de Pietro e diz: "Vou dar cinco voltas e você me segue. Depois eu saio da pista e você continua sozinho, tá bom?" A quarta geração da família Fittipaldi está começando a acelerar. "Sinto-me emocionado, é impressionante como o Pietro tem jeito para a coisa, é bastante competitivo", afirma Emerson.No mesmo kartódromo em que Emerson viu esse esporte crescer no Brasil, no início dos anos 60, ontem, 40 anos depois, o pequenino Pietro, filho de Juliana, filha mais velha do ex-piloto, fazia o mesmo, ao menos no Brasil. "Ele disputou três corridas nos Estados Unidos, há duas semanas, venceu duas e foi segundo na outra", explicava o orgulhoso avô, que parecia não caber em si ao ver um descendente direto dar seqüência ao seu notável trabalho. Os dois filhos, Jayson e Luca, nunca se interessaram em competir com automóveis. "Eu quero ser como o meu avô", disse Pietro. "Combinei de ficar cinco voltas na sua frente e depois da terceira ele queria me ultrapassar, dizendo que eu estava muito lento", emendou, rindo, o bicampeão da Fórmula 1 e campeão da Cart. A avó Maria Helena também assistiu ao treino. "Infelizmente, ele adora o kart e é combativo em tudo. É muito mais difícil ver o neto correndo que o marido", falou com a voz embargada.Luca, de 11 anos, filho de Emerson, também andou ontem de kart, mas ele próprio explicou não ter interesse em competir, tanto que não dificultou a ultrapassagem de Pietro. Ao saber que não poderia prosseguir treinando, já que embarcaria à noite para os EUA, onde reside, em Miami, Pietro chorou. "Você não pode perder aula", tentou consolá-lo Emerson.O caminho do representante da quarta geração dos Fittipaldi parece já traçado. "Vamos disputar o Circuito da Flórida de Kart. Mas temos de esperar o Pietro completar 8 anos, dia 25 de junho", diz o pai, Gugu. "Iremos participar de apenas sete etapas do campeonato na categoria Kadet." O esquema começa tão próximo do profissionalismo que a equipe de Pietro conta já com dois patrocinadores, a Lan Chile e a empresa de transportes Bringer.Gênese - Tudo se iniciou com o patriarca, Wilson Fittipaldi, o Barão, que até ensaiou correr de moto. "É uma pena que ele não esteja aqui hoje", comentou ontem Emerson. "Vai fazer 84 anos e está bem." Sua obra no automobilismo, contudo, está mais voltada à atividade de jornalista especializado e promotor de corridas, como as Mil Milhas, a partir de 1956.Os filhos, Emerson e Wilsinho, representaram a segunda geração, Christian Fittipaldi, filho de Wilsinho, a terceira, e agora está em curso a quarta. "Vou fazer tudo o que puder para ajudar o Pietro, mas dependerá muito da sua motivação por esse saudável e seguro esporte", complementa Emerson.

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