Ford e Honda boicotam treino da Indy

Quem visse os resultados da primeira sessão de treinos livres para o GP de Detroit de Fórmula Indy, na manhã desta sexta-feira, teria a impressão de que a Toyota tinha descoberto a fórmula mágica para deixar seu motor mais potente que os concorrentes Ford e Honda. Mas o que houve foi um inusitado boicote (o treino classificatório será disputado neste sábado, das 14h45 às 16h horário brasileiro, e a corrida domingo, às 15h, ao vivo na Record e na DirecTV).A confusão começou quando os engenheiros da Toyota, pressionados a deixar o motor tão potente quando os outros, chegaram à conclusão de que havia alguma irregularidade na pressão do turbo. E levaram o caso à Cart (Championship Auto Racing Teams), que organiza o campeonato e aceitou a reclamação, impondo uma mudança que gerou polêmica.A Cart decidiu que todos deveriam usar um espaçador de 0,75 polegada entre o motor e a válvula pop off, que regula a pressão do turbo - o máximo estipulado pelo regulamento é 37 polegadas, três a menos que no ano passado. A válvula é aquela peça preta que fica na parte superior do carro, à vista, atrás do cockpit.Alegando que não teriam tempo de se adaptar, a Honda e a Ford boicotaram o treino da manhã. Mas a Ford descumpriu o acordo e mandou seus carros para a pista na última meia hora. Dizem que pegaria mal para a fábrica dar essa ´bandeira´ exatamente na sua cidade - em Detroit, também estão as sedes da General Motors e da Daimler-Chrysler.A alegação da Ford e da Honda também pode ser interpretada como uma confissão de culpa. Se os motores perderiam desempenho com a nova configuração, pode significar que estavam montados de forma irregular.Afinal, os espaçadores são iguais para todos. "Foi provado que eles estavam andando com uns 38,5", afirma Christian Fittipaldi, da Newman Haas (Toyota). A irregularidade seria a seguinte: mudando a forma como o ar entra na câmara de pressão, é possível fazê-lo passar bem rente à parte superior da câmara, ´enganando´ a válvula, que não acusa o excesso de pressão.Tony Kanaan, da Mo Nunn (Honda), acha que "é mentira que o turbo tem mais de 37 polegadas": "Se tem a válvula, como pode ter mais? E conhecendo a Honda, acho impossível. Além disso, se fosse para roubar, era para estarmos ganhando todas. Quem está liderando é um Ford." O Ford em questão é do sueco Kenny Brack, líder do campeonato com 70 pontos. Brack venceu as duas últimas corridas, enquanto a Toyota teve outras duas vitórias (Cristiano da Matta em Monterrey, Scott Dixon em Nazareth) e a Honda, uma (Hélio Castro Neves em Long Beach). Para Gil de Ferran, da Penske (Reynard/Honda), não é uma questão de irregularidade, e sim de design, de como o motor é montado.Irregularidade ou não, foi aceito o recurso da Toyota, que diz ter tomado conhecimento da nova válvula na terça-feira, durante os testes de Michigan e Mid-Ohio, junto com seus concorrentes. E afirma que não precisou fazer nenhuma mudança para adaptar o motor, "que tem competido dentro das 37 polegadas estipuladas desde o começo da temporada".Bem diferente da versão da Honda, que afirma ter recebido a válvula com espaçador apenas na manhã desta sexta. E que os times não tinham certeza, até então, que teriam de usá-la. Segundo a fábrica japonesa, o regulamento da própria Cart foi desrespeitado, com uma "pequena mudança que pode ter impacto significativo no desempenho do motor".A Ford não se manifestou. E a Cart, que fornece as válvulas pop off às equipes a cada corrida, confirmou que a decisão estava tomada desde o início da semana. "Temos a obrigação de implantar qualquer mudança necessária para garantir a integridade do esporte", declarou Kirk Russell, vice-presidente de competições.

Agencia Estado,

15 de junho de 2001 | 17h49

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