Mark Dadswell/Reuters
Mark Dadswell/Reuters

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 20h00

Mais rápida e com intensa migração de pilotos, a temporada 2015 da Fórmula 1 começa nesta quinta-feira com os treinos livres em Melbourne, na Austrália. O Mundial vive ainda a expectativa de apresentar uma reacomodação das forças das equipes. Um ano depois da maior mudança da história do regulamento, a disputa deve ser mais equilibrada, acirrada, principalmente pelas trocas de pilotos.

A implantação no ano passado de motores turbo V6 desafiou a todos e fez a categoria ver um novo domínio. A Red Bull, que vinha de quatro títulos seguidos, virou coadjuvante perto dos avanços da Mercedes, que levou sua dupla de pilotos às duas posições mais altas da classificação em 2014.

Agora a tendência é ter mais equilíbrio, embora a Mercedes ainda seja a grande força das pistas. "Acredito que teremos um campeonato mais disputado. Sempre depois de uma mudança muito grande no regulamento, no primeiro ano uma equipe se sobressai e depois as demais correm atrás dela", analisou o piloto Rubens Barrichello, recordista de GPs na categoria. O atual campeão do mundo, Lewis Hamilton, concorda com o brasileiro, hoje longe da categoria. "Os outros não vão parar de nos perseguir. Tenho certeza de que a disputa será mais apertada".

A grande novidade nos carros desse ano está nos bicos. O regulamento está mais rígido quanto às dimensões do nariz dos modelos, o que trouxe mais beleza e segurança aos pilotos. Nas pistas, a tendência é a categoria ser mais veloz. "Os novos compostos de pneus devem fazer os carros andarem até três segundos abaixo do tempo de 2014", acredita Paul Hembery, diretor da Pirelli, a fornecedora oficial de pneus da F-1.

Donos de seis títulos mundiais, Sebastian Vettel e Fernando Alonso decidiram deixar as equipes onde estavam há tempos para tentar barrar o poderio da Mercedes. O alemão dono de quatro títulos mundiais substitui o espanhol na Ferrari para fazer a equipe apagar o péssimo 2014. Foi o pior rendimento da equipe italiana em 21 anos. Como companheiro, terá o experiente Kimi Raikkonen, de 35 anos, campeão mundial em 2007.

Alonso traz grande expectativa para a McLaren, mas terá de esperar para entrar no carro. O bicampeão do mundo ainda se recupera de acidente sofrido na pré-temporada, em Barcelona, e não vai correr na Austrália - Kevin Magnussen será o substituto. A vinda de Alonso simboliza uma nova era tanto para o piloto quanto para a escuderia.

O espanhol disputou o Mundial de 2007 pela McLaren e saiu no fim do ano por causa de brigas com o então companheiro Lewis Hamilton. Agora, retorna para revitalizar a equipe, que vem de resultados pífios e aposta ainda no novo fornecedor de motor. A Honda está de volta à Fórmula 1 após sete anos ausente e firma com o time a mesma parceria que deu três títulos mundiais para o lendário Ayrton Senna.

Felipe Massa vai para a segunda temporada pela Williams e por estar mais adaptado à categoria e ao carro, promete bons resultados. Está animado. "Estamos bem, temos um carro competitivo e vamos para cima", disse o brasileiro. O Brasil terá ainda mais um representante na categoria com a estreia de Felipe Nasr, pela Sauber.

JUVENTUDE

Uma jovem classe de pilotos quer continuar a despontar em 2015 e desafiar os renomados campeões do mundo. Nomes como Valtteri Bottas e Daniel Ricciardo, de 25 anos, são pouco cotados, mas já tiveram bons resultados em 2014. Ricciardo superou Vettel como colega de equipe na Red Bull ao ganhar três provas. Agora, o australiano será o piloto principal da escuderia e terá como companheiro a revelação Daniil Kvyat, russo de apenas 20 anos. Já o finlandês Bottas tem se aproximado da primeira vitória e conseguiu seis pódios ano passado.

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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 20h00

É a hora do alemão Nico Rosberg. O vice-campeão mundial de Fórmula 1 em 2014 começou aquele ano na liderança, viu o título escapar ao longo da temporada para o companheiro de equipe e, agora, para reagir, chega para o Mundial com uma minuciosa preparação realizada nas férias.

O objetivo de superar Lewis Hamilton dominou os pensamentos do alemão durante o último inverno europeu. Valeu até mesmo apostar em detalhes inusitados. "Minha respiração era uma área na qual eu podia melhorar, melhorar o modo como respiro durante um GP. Normalmente, prendemos a respiração nas curvas rápidas, que têm uma força G muito grande e não te deixa respirar adequadamente", ensinou o piloto.

Nos cálculos de Rosberg, ter uma respiração adequada poderá lhe garantir chegar mais descansado no fim das corridas. "Fui muito exigente comigo mesmo para tentar ganhar de Lewis. Meu companheiro de equipe é um dos adversários mais difíceis que já tive, então se quero ser campeão do mundo, preciso dar o meu melhor."

Nascidos no mesmo ano e colegas de equipe no kart, a dupla da Mercedes guarda ainda mais uma coincidência. Ambos moram no mesmo prédio em Mônaco. Tanta proximidade também já produziu momentos de tensão e rivalidade, como em 2014, quando se chocaram durante o GP da Bélgica. O episódio irritou o comando da equipe.

Lewis Hamilton começa a temporada tentando se mostrar alheio à vontade de revanche de Rosberg. O britânico fechou 2014 como o piloto mais vitorioso do país na categoria (33 vitórias) e respondeu aos críticos e também às provocações do alemão de que ficava nervoso em momentos decisivos.

Em 2007, deixou o título escapar em Interlagos por um erro. No ano seguinte, quase ficou com o vice novamente após ser ultrapassado nas voltas finais. E em 2014, novamente um erro em uma freada em Interlagos lhe tirou a vitória na prova. Nada que ele não pudesse superar na etapa seguinte, em Abu Dabi, quando venceu. "Eu me sinto tranquilo, em forma, relaxado e muito positivo. Estou pronto. Penso que como piloto, estou mais forte a cada temporada", disse Hamilton ao descrever como se sente para 2015.

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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 20h00

O fã brasileiro de Fórmula 1 terá neste ano dois representantes em situações diferentes para torcer. Nas duas últimas temporadas, o País teve apenas Felipe Massa na disputa e agora, além de aguardar as boas chances de pódio do piloto da Williams, torce pelo estreante Felipe Nasr conseguir pontuar com a Sauber.

O veterano Massa inicia a 13ª temporada na categoria motivado pelos dois últimos resultados de 2014. Foram pódios no Brasil e Abu Dabi. O primeiro ano na Williams terminou muito bem e a continuidade na equipe lhe deixa muito otimista para disputar novamente as primeiras posições e até quem sabe repetir o feito da Áustria, quando foi o pole position.

A boa estrutura da equipe valeu até mesmo como escola para Felipe Nasr. Ex-piloto de testes da Williams, o brasiliense de 22 anos teve a chance de adquirir experiência e aprender com o xará mais velho. "Espero que a torcida o apoie e entenda que ele estará dando todo o sangue para fazer o melhor", explicou Massa ao Estado.

Nasr sabe da expectativa que carrega por representar o terceiro País que mais tem vitórias na Fórmula 1. Terceiro colocado na GP2 em 2014, com quatro vitórias, fez ainda uma boa pré-temporada e chegou a ser o mais rápido em um dos dias de testes realizados em Barcelona, na Espanha.

A Fórmula 1, por vezes, também é cruel com quem é novato. É preciso demonstrar rapidamente talento, mesmo que o carro não seja tão bom. A Sauber precisa reagir em 2015 e se reformulou para isso ao trocar a dupla de pilotos depois de não pontuar no ano passado. Ciente das dificuldades, Nasr prefere não traçar metas. "Temos condições de ter um bom desempenho, apesar de ter vivido um 2014 bem difícil", disse ao Estado logo após ser anunciado pela equipe.

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