Fórmula 1 está de cara nova

A F-1 está de cara nova. Várias equipes partiram para projetos arrojados e até revolucionários, como a Williams FW26, chamada de "Batmóvel" pelas "presas" de seu bico. A combinação entre a necessidade de vencer a Ferrari e as restrições aerodinâmicas impostas pelo regulamento deste ano explicam, basicamente, o novo layout dos carros. A Ferrari conquistou os cinco últimos Mundiais de Construtores e Michael Schumacher, os quatro últimos de Pilotos.Nos últimos anos, os carros poderiam até ser confundidos se não tivessem cores e patrocinadores diferentes. Havia quase um padrão de linha aerodinâmica seguido por todos. A boa notícia para a temporada que começa em 7 de março, na Austrália, é esta: a Williams está bem diferente da McLaren, que não lembra em nada a Ferrari, que é diferente da nova Renault.A Federação Internacional de Automobilismo modificou o regulamento técnico. Neste ano, os aerofólios traseiros podem, agora, ter apenas dois perfis de asa, em vez dos três adotados em 2003. Além disso, mudou as laterais da tomada de ar do motor, com o objetivo de ampliar o espaço destinado aos patrocinadores. Como essa tomada de ar interfere nos fluxos de ar que chegam ao aerofólio traseiro, contribuiu também para reduzir a capacidade de gerar downforce (pressão aerodinâmica - ou a força que "empurra para baixo"). Estima-se que os carros teriam menos cerca 6% de downforce, não fossem as tentativas de compensar essa perda.O que mais tem chamado a atenção é a solução que cada projetista adotou para o bico de seus carros. Curiosamente, o mesmo desafio (gerar mais pressão aerodinâmica) levou os engenheiros à utilização de conceitos opostos. Enquanto Antonia Terzi, a especialista da Williams, abriu espaço para o ar fluir, disciplinadamente, para baixo do carro, Adrian Newey, da McLaren, preferiu afinar ao máximo o bico, também para não criar turbulência no fluxo do ar que se dirige para a porção inferior do assoalho (principalmente).TYREEL - A história dos bicos dos monopostos de F-1 reflete algumas das maiores revoluções técnicas. Os primeiros estudos aerodinâmicos remontam ao fim dos anos 60. A Ferrari foi a primeira a adotar um aerofólio, em 1968. Mas antes disso já se usavam pequenos defletores de ar, em especial na parte frontal. Os projetistas descobriram que poderiam usar o ar a seu favor para tornar os carros mais rápidos. E foram essas tentativas que geraram as mais antagônicas soluções de bicos ao longo dos anos.O atual conceito de bico alto, no entanto, surgiu ainda em 1990, com o modelo 019 da Tyrrell, desenhado por Jean-Claude Migeot. Na estréia, houve uma batalha épica entre Jean Alesi, primeiro piloto da Tyrrell, e Ayrton Senna, com McLaren. Venceu Senna, por pouco. Mas todos viram que uma nova escola havia sido criada: a do bico alto.Outra solução marcante foi de Mauro Forghieri, diretor-técnico da Ferrari, em 1976. Deslocou o aerofólio dianteiro mais para a frente do corpo do carro, aumentando a downforce. O modelo criado por ele em 1979 levou Jody Scheckter ao título de pilotos da equipe, o último antes de Schumacher.

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