Bernadett Szabo / Reuters
Bernadett Szabo / Reuters

F-1: GP da Hungria impõe a Verstappen e Leclerc batalha decisiva antes das férias

Antes da pausa de verão, resultado em Budapeste pode mostrar novo panorama na luta pelo título entre os pilotos

Marcos Antomil , O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2022 | 10h00

A Fórmula 1 encerra a primeira parte da temporada 2022 neste fim de semana, em Budapeste. O GP da Hungria traça importantes desafios para os principais concorrentes aos títulos de pilotos - Max Verstappen e Charles Leclerc - e de construtores - Red Bull e Ferrari. Dessa vez, o calor não estará entre as preocupações, mas a chuva deve dar as caras no sábado.

Hungaroring é um circuito muito travado, que dificulta as ultrapassagens. As características da pista tendem a favorecer a Ferrari. Mas o treino classificatório se ocorrer sob chuva pode alterar a ordem de forças no grid. Leclerc já marcou sete pole positions nesta temporada. Cabe ao monegasco converter o domínio nos treinos em vitórias. Erros dele e da escuderia tiraram pontos importantes na luta pelo título. Verstappen, mais maduro após a conquista do primeiro mundial no ano passado, soube se aproveitar das falhas e abriu 63 pontos de vantagem sobre Leclerc.

Se Leclerc é o dono dos treinos, Verstappen reina nas corridas. Na Fórmula 1, o que vale é o domingo. Após o Grande Prêmio da Hungria, a categoria máxima do automobilismo mundial faz uma pausa para as férias de verão, retornando no fim de semana do dia 28 de agosto, em Spa-Francorchamps, na Bélgica. Depois haverá mais duas corridas nos dois fins de semana seguintes: Zandvoort, na Holanda (04/09), e Monza, na Itália (11/09). Se quiser ter alguma chance de lutar pelo título, Leclerc precisa ganhar na Hungria e torcer para Verstappen ter um dia ruim. O prejuízo até aqui implicará em muito trabalho para a Ferrari durante as próximas quatro semanas.

A primeira parte de uma temporada repleta de mudanças aerodinâmicas refletiu diretamente na disputa pelas primeiras posições. A outrora hegemônica Mercedes sofre com o porpoising (efeito golfinho) e a condição do carro impede que Lewis Hamilton e George Russell lutem por vitórias. Apesar da melhora nas últimas provas, a escuderia alemã reconhece as dificuldades e tenta mitigar as falhas na idealização do monoposto. 

A partir do GP da Bélgica, a FIA deverá impor novos parâmetros de regulagem do assoalho dos carros a fim de dirimir os quiques, conhecidos como efeito porpoising. A chamada Métrica de Oscilação Aerodinâmica (AOM, em inglês) tem como fundamento aumentar a segunda dos pilotos. Essas exigências são um dos fatores que podem alterar os rumos do campeonato mundial nas nove corridas restantes.

É improvável pensar que outro piloto ou equipe possa se intrometer na disputa entre Verstappen e Leclerc pelo título. No entanto, regulamentos novos costumam abastecer de ânimo conjuntos que não iniciaram tão bem. Na Red Bull, toda a equipe está batalhando para ajudar Verstappen a conquistar um novo título, de maneira soberana, sem margem para polêmicas como em 2021. No time italiano, por sua vez, o longo jejum exige uma reação.

O futuro de alguns pilotos está em risco na Fórmula 1. O tetracampeão Sebastian Vettel anunciou que abandonará a categoria, abrindo uma vaga na Aston Martins. O australiano Daniel Ricciardo decepciona na McLaren e também não tem garantias de continuidade na escuderia. A dança das cadeiras não deve ser tão agitada como em outros anos, porém os poucos cockpits vagos serão relevantes e podem abrir a Fórmula 1 para jovens com grande potencial, como o australiano Oscar Piastri e o brasileiro Felipe Drugovich, líder da F-2. Novamente, o dinheiro de investidores ditará quem ocupará o grid. O cenário para Drugovich, no momento, não é animador.

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