Fórmula Indy admite diminuir a velocidade

A redução na pressão do turbo implantada na atual temporada da Fórmula Indy não foi nada perto do que a Cart pretende implantar. A entidade que organiza a categoria está elaborando um novo regulamento que pode mudar completamente a concepção dos motores, deixando os carros mais lentos e, conseqüentemente, mais seguros, a partir de 2003. Esse é o argumento principal, apoiado numa questão que sempre preocupou os pilotos: segurança. Mas há outros motivos. Andreas Leberle, dono da equipe Dale Coyne/PRG, afirma que há duas possibilidades: substituir o atual turbo de 2,5 litro por outro turbo, de 1,8 litro, ou por um aspirado de 3,5 litro, similar ao motor usado pela IRL (Indy Racing League). Optando pela segunda hipótese, a Cart abriria um novo mercado para seus carros, que poderiam assim disputar as tradicionais 500 Milhas de Indianapolis, prova que integra o calendário da IRL e da qual todo patrocinador quer participar, devido ao grande retorno de mídia. "Todo mundo quer a Indy 500", diz Leberle, "por isso seria melhor um motor aspirado". Bem mais esquivo, Tim Meyer, vice-presidente de operações da Cart, diz que a adequação à IRL é apenas "uma opção" entre várias, inclusive a de não se mudar nada. Segundo ele, essa discussão tem dois motivos: "A regra é a mesma há 12 anos e os motores atuais têm muita potência para alguns circuitos." No caso, especialmente os superspeedways, ovais de duas milhas nos quais os carros chegam a 400 km/h. E também ovais como o do Texas, de 1,5 milha, onde será disputada a próxima etapa, dia 29. Meyer não menciona o fato de que uma aproximação com a IRL seria uma oportunidade para a Cart aumentar sua arrecadação (dizem que está abaixo do esperado) e sua divulgação, principalmente nos Estados Unidos, onde a falta de pilotos norte-americanos não é bem vista. "Acho um exagero o que falam da nossa situação financeira, temos mais de US$ 100 milhões no banco", diz Meyer, usando também como álibi os 28 carros que disputaram o GP de Long Beach, ontem, e a grande presença do público. As arquibancadas estavam mesmo lotadas, mas não é o parâmetro ideal porque este sempre foi um evento bem-sucedido. Fruto de uma dissidência na Cart, a IRL foi criada em 1996. Desde então, a Indy vem se internacionalizando cada vez mais e perdendo mercado nos Estados Unidos. A mudança nos motores, aliada ao fato de que algumas equipes da Indy vão disputar as 500 Milhas neste ano, como Penske e Motorola Green, parece apontar para uma reaproximação, até uma reunificação. Mas Meyer só concorda em parte: "Vejo muitos cenários em que podemos trabalhar juntos, mas não como uma única entidade." Será? O novo regulamento deveria ter sido anunciado no dia 1.o de maio, quando seriam necessários 50% dos votos dos donos de equipes, ou franquias, para a aprovação de uma proposta. Mas seu teor ainda não foi definido, de acordo com Tim Meyer, por falta de consenso. E agora, reza o estatuto, será necessária uma aprovação de 80%. O dirigente admite que há urgência porque os fabricantes de motores (Honda, Toyota e Ford) precisam de tempo para elaborar seus projetos. Mas não arrisca dizer quando a decisão será tomada. O direito de voto independe dos resultados obtidos pelas equipes, e sim da constância com que seus carros aparecem nas pistas. Uma equipe só pode votar a partir do momento em que disputou duas temporadas inteiras consecutivas. Se possui um carro, tem um voto. Dois carros, dois votos. Assim, por exemplo, a Penske, de Gil de Ferran e Hélio Castro Neves, tem dois. A Bettenhausen, de Michel Jourdain Jr., tem um e a estreante Sigma, nenhum. Apostando no motor aspirado, Andreas Leberle, da Dale Coyne/PRG, calcula que a potência seria reduzida de 900 para cerca de 700 cavalos.E não acha que isso tiraria o interesse da categoria, cujo charme é ter os carros mais velozes do mundo: "As pessoas não vão ao autódromo para ver o turbo, elas querem uma corrida interessante. E mesmo assim nosso carro poderá ser o mais rápido." O piloto brasileiro Luiz Garcia Jr., que disputou as duas primeiras corridas do ano por esta equipe e agora negocia sua permanência com o patrocinador, acha que para o público, uma redução de 20km/h não faz diferença: "Mas numa batida, faz."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.