Hamad I Mohammed / Reuters
Hamad I Mohammed / Reuters

França sugere cancelar Rally Dakar após explosão, mas organizadores se opõem

Incidente aconteceu no dia 30 de dezembro, com um veículo ocupado por cinco franceses, mas autoridades sauditas descartaram ser um ataque terrorista 

AFP, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 08h52

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, sugeriu nesta sexta-feira um eventual cancelamento do Rally Dakar, realizado na Arábia Saudita, após a explosão de um veículo em um possível "ataque terrorista" em 30 de dezembro. 

"Achamos que talvez valesse a pena desistir desse evento esportivo. Os organizadores decidiram mantê-lo", disse Le Drian em entrevista à televisão BFMTV e à rádio RMC. "Neste caso, temos que ser muito cuidadosos, pelo menos para pôr em prática suficientes e reforçados dispositivos de proteção. Acho que fizeram isso, mas, de qualquer modo, a questão permanece em aberto", acrescentou. 

O chefe da diplomacia francesa afirmou que "talvez tenha havido um atentado terrorista contra o Dacar" e pediu "mais transparência" às autoridades sauditas.

Os fatos remontam a 30 de dezembro, em Jidá (centro-oeste da Arábia Saudita), quando um veículo ocupado por cinco franceses sofreu uma explosão. Seu motorista, Philippe Boutron, de 61 anos, ficou gravemente ferido e foi repatriado para a França. 

Na última terça-feira, a Procuradoria nacional antiterrorista francesa anunciou a abertura de uma investigação preliminar sobre a explosão por "tentativa de homicídio em conexão com um grupo terrorista". A investigação será conduzida pelo serviço de Inteligência DGSI. 

Embora as autoridades sauditas tenham descartado no sábado a hipótese de um ato criminoso e descrito o ocorrido como um "acidente", a organização da prova e a Chancelaria francesa não descartaram a primeira possibilidade. 

"Já houve ações terroristas na Arábia Saudita contra interesses franceses", disse o ministro das Relações Exteriores. 

Em outubro de 2020, um guarda do consulado da França em Jidá foi ferido em um ataque a faca. Duas semanas depois, um atentado na mesma cidade deixou dois feridos durante a cerimônia de armistício da Primeira Guerra Mundial. Participavam do evento diplomatas ocidentais, principalmente franceses. 

O Rally Dakar enfrenta ameaças à sua segurança desde sua primeira edição, em 1979. Entre 2009 e 2019, foi transferido para a América do Sul para escapar de possíveis ações terroristas vinculadas a conflitos na África.

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