Frentzen põe a Sauber sob suspeita

Recursos eletrônicos, como o controle de tração, serão permitidos novamente na Fórmula 1 apenas na quinta etapa da temporada, o GP da Espanha, dia 29 de abril, mas já há quem suspeite que ao menos um time não o está respeitando. O alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan-Honda, acusou a equipe Sauber de ter disputado o GP da Austrália com o controle de tração em seus dois carros, o que justificaria o excelente desempenho de seus pilotos, Nick Heidfeld, quarto, e o estreante Kimi Raikkonen, sexto."O Heidfeld sumia de mim nas saídas de curva de baixa velocidade e o que eu estranho é que eu podia ouvir o motor do seu carro falhar", afirmou Frentzen, no seu site oficial. Uma das formas de se controlar a tração é programar o computador que gerencia o motor. Quando um sensor detecta que as rodas motrizes estão girando em falso, o computador corta a ignição de alguns cilindros, reduzindo a potência desenvolvida, o que permite o carro tracionar melhor. Ao dizer que o motor Ferrari da Sauber falhava, ele referia-se a esse corte na ignição, que produz um ruído bastante característico. "Só consegui ultrapassar Raikkonen no pit stop e então tinha pela frente Heidfeld, cujo carro reagia como o do companheiro." Frentzen classificou-se em quinto, entre os dois pilotos da Sauber. Foi na escuderia suíça que o alemão estreou na Fórmula 1, em 1994, e disputou três temporadas antes de ir para a Williams, onde correu dois anos sem sucesso. Ele foi ainda mais contundente nas suas declarações, lançando suspeitas sobre a legalidade do resultado da prova de abertura de Mundial: "Não sei se o controle de tração da Sauber é uma opção da Ferrari, mas a verdade é que os seus dois pilotos, em aceleração, me deixavam bem para trás." O motor e o gerenciamento eletrônico (Magnetti-Mareli) são fornecidos à Sauber pela Ferrari. Na inspeção técnica realizada depois do GP da Austrália os comissários técnicos não detectaram nenhuma irregularidade nos carros de Heidfeld e Raikkonen. Mas o próprio presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, já declarou que, hoje, com os recursos eletrônicos disponíveis, não há como se ter certeza de que o regulamento está sendo respeitado. Foi por esse motivo que Mosley defendeu a liberação do controle de tração, por ser "impossível" controlar quem o está usando.

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