Furacão em Suzuka adia treinos da F-1

Nunca na história de 55 anos da Fórmula 1 um autódromo foi fechado por causa da passagem de um furacão. Sábado, em Suzuka, será a primeira vez. Toda a programação de sábado do GP do Japão está cancelada. O furacão 22 - no país eles recebem número e não nomes - deverá atingir a cidade de Suzuka por volta do meio-dia, com ventos de 160 km/h. Nesta sexta-feira, no primeiro dia de treinos da 17ª etapa do Mundial, a chuva já caiu forte no circuito e os pilotos deram poucas voltas na veloz pista de 5.807 metros.Já houve guerra entre associação das equipes, Foca, e a FIA, no GP da África do Sul de 1982, e seus pilotos não foram à pista, greve de escuderias, em protesto contra as decisões da FIA de mudar o regulamento no meio da temporada, no GP da Espanha de 1994, mau tempo que cancelou treino, a exemplo da neblina intensa e a temperatura próxima do zero grau no GP da Europa, de 1996, em Nurburgring. Mas a aproximação de um furacão manter pilotos, técnicos, patrocinadores, jornalistas e torcedores nos hotéis ou em suas casas, com portas e janelas bem fechadas, é uma grande novidade.Os responsáveis pelo governo de Mie Prefecture, correspondente ao estado de Mie, decidiram proibir, sábado, a circulação de trens, ônibus e, a partir de determinado horário, por volta das 10 horas, veículos particulares também. Na quinta-feira (manhã no Brasil) o furacão 22 já havia passado ao largo da cidade de Naha, no arquipélago de Okinawa, as ilhas mais meridionais, e seguia rumo norte, a cerca de 90 km/h, na direção da baía de Nagoya, onde se acha Suzuka, distante 50 quilômetros. O autódromo recebia regularmente, na quinta-feira, comunicados do serviço meteorológico, informando o andamento do furacão que até se aproximar de Nagoya, segundo a previsão, terá passado apenas pelo Oceano Pacífico.Risco - As primeiras áreas de superfície sólida que deverá atingir são as cidades de Kobe, devastada por um terremoto em janeiro de 1995, Osaka e Nagoya. Sua intensidade, de acordo com os japoneses, não é das mais elevadas, mas está longe de ser classificado como fraco. Ano passado, 28 furacoes chegaram nas quatro principais ilhas que compõem o Japão, Honshu, onde está Suzuka, Nagoya, Tóquio; Hokaido, ao norte; Shiko-ku, a leste; e Kiu-shu, ao sul; além de Okinawa. O de sábado, até agora, será o 22º, este ano, daí seu nome.Todos os equipamentos dos times da Fórmula já haviam sido recolhidos para dentro dos boxes, na quinta-feira à noite (horário do Japão e manhã desta sexta no Brasil), até suas complexas torres de rádio, para uso na telemetria, retiradas das partes mais elevadas do autódromo, à espera do "taifu 22", seu nome em japonês.Domingo - Com o cancelamento das atividades de sábado, o GP do Japão terá a pré-classificação e a classificação disputadas domingo. Assim, a pré-classificação passa das 13 horas de sábado para as 9 horas de domingo, ou 21 horas de domingo em Brasília. E a sessão que definirá o grid, das 14 horas de sábado para as 10 horas de domingo, ou 22 horas de sábado em Brasília. A largada da corrida está mantida para as 14h30 de domingo, ou 2h30 de domingo.Reação - Os pilotos reagiram com bom humor à passagem do furacão. "Eu queria jogar futebol e algumas pessoas me ajudaram tentar alugar uma quadra, mas fomos informados que estão todas lotadas. Terei de permanecer no hotel", afirmou o campeão do mundo, Michael Schumacher, da Ferrari. Já Olivier Panis, da Toyota, comentou: "Esta é a última corrida da minha carreira na Fórmula 1. Disse que gostaria que fosse especial, mas não imaginava que pudesse ser tão diferente." Kimi Raikkonen, da McLaren, falou: "Já que não podemos sair para fora do hotel, ficarei deitado. Descobri que existe um canal de televisão em inglês, com filmes. Vou assistir a todos."Treino - Nesta sexta-feira, no primeiro dia de treinos para a prova, o mais rápido foi Michael Schumacher, com 1min45s388, seguido por Giancarlo Fisichella, da Sauber, 1min46s102, Kimi Raikkonen, McLaren, 1min46s749 e Rubens Barrichello, Ferrari, 1min46s874. Todos completaram entre 4 e 5 voltas apenas em razão do volume de água acumulada no circuito. "Se for assim na hora da largada não haverá como correr", afirmou Rubinho, refletindo o pensamento dos outros também. "Os carros estão rodando por causa de aquaplanagem em plena reta, é muito perigoso", falou Schumacher. O serviço meteorológico prevê melhora das condições do tempo em seguida à passagem do furacão 22.

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