Futura mulher na Fórmula 1, piloto suíça ressalta tempo para se preparar

Simona de Silvestro, da Sauber, deixa a Indy para passar o ano em processo de adaptação à nova categoria

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2014 | 17h01

SÃO PAULO - A suíça Simona de Silvestro é candidata a entrar na Fórmula 1 em 2015. Depois de quatro temporadas na Indy, a piloto teve bons resultados, como o segundo lugar em Houston, no ano passado. Agora ela é do programa de desenvolvimento da Sauber e vai passar o ano em preparação para alinhar no grid de largada no ano que vem.

ESTADO: Qual a preparação necessária para você obter a superlicença?

Simona: Pelo que sei, vou ter de percorrer em testes 300 quilômetros com o carro da Sauber de 2014. Por isso, todo o processo vai levar algum tempo. Com certeza vou ter de testar bastante neste ano, mas, como o modelo é novo para todos da equipe, o foco inicial será ajudar no desenvolvimento. Meu plano é completar esses 300 quilômetros em um dos testes em Barcelona ou Silverstone. Vou precisar fazer isso rapidamente para poder ter a superlicença o quanto antes.

ESTADO: Quais diferenças entre os carros da Fórmula Indy e da Fórmula 1 trarão mais dificuldades para você?

Simona: O conjunto, como um todo, será o maior desafio. O equipamento é totalmente diferente e as pistas também são. Tenho de me adaptar a tudo isso. O carro da Fórmula 1 vai demandar muito mais conhecimento porque existem muitos mais detalhes a se acertar nele do que nos carros da Fórmula Indy.

ESTADO: Como será a sua rotina de preparação ao longo de 2014?

Simona: Será voltada para aprender o máximo possível. Vou passar o tempo que der junto com a equipe. Fisicamente, vou ter muitas coisas diferentes para treinar também. A musculação do pescoço será muito importante e exigirá bastante empenho da minha parte.

ESTADO: Você chega à principal categoria do automobilismo justamente no ano que marca a mudança de regulamento mais radical de sua história. Isso vai atrapalhar a sua preparação?

Simona: Pelo contrário, acho que na verdade eu tenho uma grande chance e nem tanto um problema. Vou poder me preparar ao longo de um ano inteiro e, se tudo der certo, estarei no grid de largada em 2015. Esse longo período de adaptação durante o ano é uma oportunidade preciosa que poucos pilotos têm para aprender antes de estrear. Toda a equipe Sauber estará dedicada a me ajudar.

ESTADO: Pretende viajar para algumas das etapas da Fórmula 1 mesmo que não vá correr?

Simona: Quero ir para várias corridas, porque é lá que aprenderei o máximo. Se você passa tempo com a equipe e presta atenção em como tudo funciona, adquire experiência.

ESTADO: E do calendário da Fórmula 1, tem curiosidade de conhecer quais circuitos especificamente?

Simona: Todas as pistas serão totalmente diferentes para mim. Até estou acostumada a andar em circuitos de rua, porque eles são comuns na Fórmula Indy, mas raramente corri em autódromos. Esse tipo de circuito é uma enorme novidade na minha carreira. Será muito interessante visitar pistas como Monza e Spa-Francorchamps, locais famosos, antigos e onde muitas corridas foram realizadas. Será emocionante guiar nesses locais algum dia.

ESTADO: Você tem algum grande ídolo no automobilismo?

Simona: Michael Schumacher sempre foi um exemplo para mim. Tenho uma grande admiração por ele e por todos os resultados conquistados na carreira. Os números são incríveis.

ESTADO: Caso esteja no grid no ano que vem, você será uma suíça que pilotará por uma escuderia do mesmo país. Essa combinação pode gerar muita pressão?

Simona: Na minha opinião, é interessante ter a Sauber e eu como representantes do mesmo país. Não penso que isso criará algum excesso de expectativa ou pressão por resultados. Acho que a relação que existirá será mais de patriotismo por representar a Suíça.

ESTADO: Por que na Fórmula 1 não é tão comum pilotos mulheres como é na Fórmula Indy?

Simona: Penso que não tivemos tantas mulheres na Fórmula 1 porque é uma categoria onde não é qualquer um que chega. É o nível mais alto no automobilismo mundial, então obrigatoriamente o piloto precisa ser completo.

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