Gidley correrá com Junqueira na Indy

Na semana que antecedeu o GP de Portland, domingo passado, Bruno Junqueira entrou na sala para a reunião pré-corrida da Chip Ganassi e encontrou outra pessoa no lugar do seu (até então) companheiro de equipe Nicolas Minassian. Era Memo Gidley, que, como ele acabava de reparar, seria agora o novo piloto da equipe. Na última terça-feira, Bruno foi para a reunião na expectativa de ver quem estaria naquela cadeira. Mas dessa vez, nenhuma novidade. Memo terá o carro número 12 no GP de Cleveland, oitava etapa da temporada de Fórmula Indy, no próximo domingo. "Estava todo mundo meio apreensivo para ver quem ia estar lá", disse nesta segunda-feira o mineiro Bruno, de 24 anos, enquanto pagava o condomínio, em Indianápolis, onde mora. Contratado junto com Minassian (francês de 28) para levar a equipe de volta aos bons tempos - a Ganassi foi campeã de 96 a 99. Para um estreante, Bruno teve até agora um desempenho satisfatório, marcando 23 pontos. Mas Minassian, com apenas sete nas seis primeiras corridas, perdeu a chance de mostrar serviço até o fim do ano.Em seu lugar, entrou o norte-americano Memo Gidley, piloto de 30 anos que estava parado desde o início do ano e já disputou corridas da Indy. Em Portland, ele fez apenas o 25º tempo no treino livre de sexta-feira e também no qualifying, entre 26 pilotos, além de bater na primeira volta da corrida. Mas Bruno acha que com o tempo, as coisas podem melhorar. Com toda sua sinceridade, o piloto brasileiro diz que "talvez ele não seja o cara que nasceu com o melhor talento natural". E que por isso precisará de um tempo para se adaptar: "Como já andou em Cleveland, pode ser que faça melhor que em Portland." E é bom que faça mesmo, pois será analisado em função desta prova.Quem afirma é Mike Hull, diretor da equipe: "Nosso plano é analisá-lo em Cleveland e ver o que fazemos para Toronto (onde será disputada a etapa seguinte, duas semanas depois)." Para a Ganassi, isso é tempo mais que suficiente para fazer nova troca. Minassian foi demitido na semana que separou as corridas de Detroit e Portland. Gidley será demitido se for mal também em Cleveland? "Não posso falar isso agora porque esperamos melhorar. Acho que ele é capaz de conseguir uma posição melhor no grid e fazer uma prova melhor, para não precisarmos ter essa conversa na semana que vem", responde Hull, dando a entender que não suportaria ver seu carro na última fila de novo.Sobre os possíveis substitutos, como Robby Gordon e Alex Barron, o dirigente afirma que eles não se enquadram no perfil que a equipe deseja por não terem experiência na Indy. E descarta a possibilidade de tirar algum piloto de outra equipe da categoria por ser "um processo complicado". E caro. Além dos contratos com suas equipes, lembra ele, há uma série de vínculos publicitários assinados para o ano todo.Se Gidley ficar, Bruno ficará satisfeito: "É um cara muito legal, aplicado, dedicado." O companheiro perfeito, que pelo jeito não faria muita concorrência e ajudaria a desenvolver o carro. Bruno também espera que Gidley nunca faça como Paul Tracy, que o tirou da corrida de Portland batendo em seu carro em pleno pit lane. "Foi uma sensação ruim. Eu estava fazendo uma corrida conservadora, tentando me manter na pista porque se eu terminasse, com aquela chuva, ia ficar entre os cinco primeiros. Estava na minha para tentar chegar e fazer uns pontinhos", lembra o piloto brasileiro: "O Tracy é um cara que arrisca muito, não respeita regra. É tido como espetacular e às vezes prejudica os outros." Com seus 23 pontos, Bruno está em 14º no campeonato. O líder é Kenny Brack (76), seguido por Hélio Castro Neves (69), Michael Andretti (53), Cristiano da Matta (49) e Christian Fittipaldi (46). Gil de Ferran é o oitavo (44), Roberto Moreno o 12º (36), Tony Kanaan o 13º (34), Max Wilson o 16º (12) e Maurício Gugelmin o 21º (7).

Agencia Estado,

27 de junho de 2001 | 16h03

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