Gil de Ferran é celebridade em Indianápolis

Dentre os personagens da Fórmula 1 mais procurados para autógrafos, hoje no circuito de Indianápolis, estava Gil de Ferran. "O oposto do que vivo na Europa", disse. O atual diretor-esportivo da BAR-Honda é uma celebridade na pista onde venceu, em 2003, a corrida mais famosa do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis. "Hoje de manhã, quando cheguei, precisei fazer aquela parada estratégica, me recompor, pensar em tudo o que tenho de fazer. Estava emocionado", disse Gil. Amanhã começam os treinos livres do GP dos Estados Unidos, nona etapa da temporada. Enquanto Juan Pablo Montoya, da McLaren, tentava ainda explicar o inexplicável, ou seja, por que não respeitou o sinal na saída dos boxes em Montreal, e acabou desclassificado, Gil de Ferran e a bela Danica Patrick, nova estrela do automobilismo, monopolizavam parte das atenções no paddock do mais bem equipado autódromo já construído. O que ainda impressiona Gil é que em 2003 ele iniciou sua preparação para a prova com uma semana de atraso, por conta de um acidente no oval de Phoenix que até hoje lhe traz seqüelas. "Eu estampei o muro lá, não corri em Motegi, no Japão, etapa seguinte, e no meu primeiro treino aqui, não gosto nem de lembrar." Gil dá mais detalhes da pior experiência vivida no automobilismo, exatamente no mesmo local onde, três semanas mais tarde, obteve sua maior conquista. "Enterra o cara", dizia para mim. "Eu errava toda hora, estava lento, sem sensibilidade, baita pescoço (piloto de braço duro)." Já no dia seguinte a história mudou. "Fazia calor e o pessoal deixou de ir para a pista, à tarde. Sozinho, comecei a readquirir a confiança, entender o que se passava, minha cabeça voltou a funcionar." Foram momentos como esse que lhe dão extraordinária visão do que é necessário para que sua atual equipe possa retornar à posição de grande, como ano passado. Por exemplo: Jenson Button, piloto da BAR-Honda, errou feio domingo, em Montreal, quando poderia ter sido segundo colocado, o que seria de extrema importância para o time de Gil, que até agora não marcou pontos. "Disse ao Jenson que foi um pequeno equívoco, mas de grande consequência", falou. "Seu trabalho estava sendo fantástico. Pedi que esquecesse, pensasse já na prova aqui de Indianápolis, era assim que eu gostava que me fizessem quando eu era piloto, até há dois anos." Button bateu no muro e abandonou. Agora a atenção de Gil se volta para Danica Patrick, que o surpreende no paddock. "Como estreante, o que ela está fazendo é impressionante. Não foi apenas a quarta colocada nas 500 Milhas, mas durante o mês todo de treinos para a corrida esteve sempre muito veloz." Danica percorreu, hoje, os 4.192 metros do traçado de Indianápolis para a Fórmula 1 com um Honda NSX, a fim de conhecê-lo, bem distinto do oval. Sua presença dentre os boxes das equipes jamais sugeria tratar-se de um piloto que nunca sentou, sequer, num Fórmula 1, tal o interesse da imprensa.Montoya - Juan Pablo Montoya deu, hoje, finalmente, sua versão do ocorrido no circuito Gilles Villeneuve. Acabou excluído da competição por não respeitar a sinalização na saída do box depois do segundo pit stop, quando o safety car estava na pista. "Eu vi a luz azul acesa (seu significado é dê passagem aos carros que estão na pista). Pelo rádio perguntei à equipe se deveria parar. Acho que não me ouviram e decidi seguir em frente. Erro meu." O importante, afirmou, foi o apoio que a McLaren lhe deu. "Ron Dennis veio falar comigo no hotel, à noite, pedir desculpas também por não ter me chamado na primeira volta depois da entrada do safety car."

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