Gil está pronto para os ovais da IRL

Gil de Ferran está pronto para encarar uma temporada inteira correndo em circuitos ovais. Foi isso que o atual bicampeão da Fórmula Indy disse hoje, numa entrevista coletiva que concedeu em São Paulo. E é bom que seja verdade, porque não resta mais dúvida de que sua equipe, a Penske, deixará mesmo a categoria e levará seus dois pilotos - Gil e Hélio Castro Neves - para a IRL (Indy Racing League). Os indícios são fortes. Para começar, Morris Nunn, dono da equipe Mo Nunn, declarou recentemente ao site espn.com que Roger Penske, dono da Penske, disse a ele que está "fora da Cart", a empresa que administra a Indy. Morris vai fazer o que até pouco tempo atrás pensava-se que a Penske também faria. Migrará apenas parcialmente para a IRL, ficando com um piloto em cada categoria - Tony Kanaan na Indy e Felipe Giaffone na IRL. No caso da Penske, Gil ficaria e Helinho se mudaria. Há dois outros indicativos. 1) A Penske ainda não tem motor nem chassis para correr na Indy no ano que vem. Em Surfer?s Paradise, onde foi disputada a penúltima etapa da temporada, Roger disse que teria em 2002 o mesmo pacote que tem hoje (Honda e Reynard). Só que ainda não renovou nenhum dos dois contratos de fornecimento. 2) Hélio Castro Neves está na lista, divulgada ontem, de participantes da IROC (International Race of Champions), que reúne os melhores pilotos do ano no automobilismo norte-americano. Uma das seis etapas está marcada para 27 de abril, mesmo dia do GP de Motegi da Indy e no qual não há prova da IRL. Somando-se tudo isso à desenvoltura com que Gil fala em correr na IRL, fica claro que a Penske, nove vezes campeã e uma das fundadoras da categoria, vai provocar nela o considerável baque de deixá-la. Segundo o piloto, não haveria o menor problema em deixar uma categoria na qual defenderia o título de campeão para virar um novato de 34 anos. "Para mim, nunca foi uma questão de defender o título. O número um não compra nenhum privilégio. No automobilismo não se defende nada, se ataca para conseguir mais um campeonato. Você começa com zero ponto, igual aos outros. Tudo para mim é um desafio. Ganhar mais uma vez (na Indy) seria mais difícil do que nas outras vezes, senão mais. Se vier esse novo desafio (IRL), não me importo. Estou com a Penske e todo mundo que está lá é muito acima da média, muito esforçado." Apesar disso, Gil admite que não gostaria de se afastar dos circuitos mistos: "Sempre corri neles, foi onde aprendi a correr. Com certeza, vou sentir falta." Ele não disse "sentiria", disse "vou sentir", embora tenha voltado a frisar que não sabe o que acontecerá e que a decisão está nas mãos de Roger Penske. Embora Gil seja o bicampeão da Indy, só havia três microfones de tevês sobre a mesa na coletiva. Mesmo assim, ele garante que não se importa com a falta de popularidade que só uma passagem pela F-1 poderia lhe dar: "Estou num momento fantástico, cada vez mais apaixonado pela minha equipe, uma das melhores da história do automobilismo. Meu trabalho não é ser ídolo, é vencer corrida, é na pista. Com o que acontece fora, a repercussão, não tenho o menor controle." Gil seria mais famoso se vencesse no ano que vem as 500 Milhas de Indianápolis, na qual foi o segundo colocado neste ano, atrás de Hélio Castro Neves. Isso ele quer: "É um grande desafio, algo que gostaria de botar no meu currículo. Você sente na pele o prestígio que esta corrida tem, são mais de 500 mil pessoas assistindo. Não dá para explicar, é um ambiente maravilhoso."

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