Gil sonha com o tri e as 500 Milhas

A ordem na Penske é não falar sobre 2002. Os pilotos se esquivam do assunto, o dono da equipe diz que precisa esperar o campeonato acabar. A vontade de disputar a IRL não é segredo para ninguém, mas não está confirmada. Indecisa também está a continuação na Indy, ou pelo menos a forma como será feita. De uma coisa, no entanto, parece não restar dúvida: Gil de Ferran estará na pista para buscar o tricampeonato. Logo após conquistar o segundo título consecutivo da Indy, domingo passado, na Austrália, o piloto brasileiro falou do que pensa a respeito da carreira. Prestes a completar 34 anos (11 de novembro), disse que quer continuar pilotando enquanto sentir que ainda está progredindo. E que, como se sente mais em forma do que quando tinha 20 e poucos anos, tem esperança de que a próxima temporada seja ainda melhor: "Adoraria ganhar as 500 Milhas de Indianápolis. E ganhar o campeonato de novo, então, seria perfeito, 100%." Emocionado com o título e o prêmio de US$ 1 milhão, Gil admitiu algo que, até então, tinha evitado ao máximo, sempre dizendo que, como funcionário da equipe, faria o que Roger Penske mandasse. Ficava claro que, apesar de todas as dúvidas e mistérios, apesar de a Marlboro (principal patrocinadora) estar insatisfeita com o calendário, apesar de a Honda (fornecedora de motor) ter anunciado que deixará a categoria, o campeão fica. Referindo-se às dificuldades enfrentadas pela Cart, empresa de capital aberto que organiza a categoria, Gil lembra que "a tempestade está chegando" - não se sabe como será o campeonato de 2003, nem se haverá um. A partir de então, diz ele, seu futuro estará nas mãos de Roger Penske: "Não sou clarividente, mas sei que tenho o melhor aliado do mundo. Ele sabe navegar em águas difíceis e vou onde ele quiser." Roger não quer falar nem do ano que vem, quanto mais de 2003: "Ainda não decidimos nada, há muitas opções. Vamos resolver depois de Fontana (última corrida, domingo que vem)." As únicas coisas que ele confirma são o interesse na IRL - "sem dúvida" - e a insatisfação com a internacionalização da Indy, que disputa cada vez mais provas no exterior: "O nosso patrocinador (Marlboro) quer correr nos Estados Unidos, não está interessado no exterior. Lá, ele tem a Ferrari." Além de acresentar mais uma corrida no México e no Canadá, a direção da Indy tirou do calendário de 2002 duas provas realizadas em mercados importantes para a Penske - Michigan e Nazareth, esta última localizada perto de Nova York, onde fica a sede mundial da Philip Morris, fabricante do Marlboro. Por outro lado, todas as corridas da IRL são realizadas nos Estados Unidos. Roger diz estar satisfeito com o progresso da Penske nos últimos dois anos, evidenciado pelos dois títulos de Gil e pela dobradinha que ele e Hélio Castro Neves fizeram na última edição das 500 Milhas de Indianápolis (segundo e primeiro, respectivamente): "Não posso pedir mais." O comandante, que cuida pessoalmente do carro de Gil, não diz qual de seus pilotos acha melhor: "Os dois são terríveis. Cada um ganha um dia e um empurra o outro, o que é o mais importante." Mas Gil, com sete vitórias e dois títulos, já pode ser comparado a Émerson Fittipaldi, que também correu na Penske e, apesar de ter sido campeão uma só vez (1989), venceu 22 corridas. "A competição é diferente hoje. O Émerson foi um piloto muito determinado e chegou com experiência de Fórmula 1. O Gil não tem a mesma bagagem, mas os resultados falam por si sós."

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