Gisele é a vencedora do GP do Brasil

Era manhã de 1.º de maio de 1994, em Horizontina (RS), e Gisele Bündchen, não muito fã de automobilismo, foi até a cama do pai, Valdir, para parabenizá-lo pelo aniversário. Valdir, ao contrário, é fanático por Fórmula 1 e estava vendo o GP de San Marino, em Ímola, pela TV Globo. A família toda ficou lá, assistindo à corrida, até o fatídico acidente que matou Ayrton Senna. "Foi a única vez que assisti a um GP, fiquei chocada e não vi mais. Também comecei a trabalhar e não tive mais tempo." Dez anos mais tarde, a supermodelo, de 24 anos, voltou a acompanhar uma disputa de carros, só que desta vez no autódromo, em Interlagos, onde deu a bandeirada final no GP do Brasil. Ganhou o centro dos atenções, jogando para segundo plano Rubens Barrichello e, quem diria, o heptacampeão mundial Michael Schumacher. Para o público, ela foi a grande vitoriosa da tarde de domingo.Por volta das 12h15, quando caminhava pelo paddock, os repórteres de todo o mundo se aglomeraram em sua volta. E Schumacher, bem perto e esquecido pelos repórteres, olhou assustado. Talvez nunca fosse imaginar que, depois de sete títulos mundiais, poderia passar alguns minutos despercebido em seu habitat.Gisele, de tênis, camiseta sem manga e jeans, foi ovacionada pelo público, desde a chegada, às 11h20. E, em nenhum momento, deixou de retribuir o carinho. Acenou para as pessoas, sorriu para as fotografias e brincou. "Pô, já estão tomando cerveja a essa hora", gritou ela para um grupo de torcedores que seguravam copo de cerveja na mão.Aperto - Num dos momentos mais engraçados, a modelo mostrou que, apesar de milionária e estrela internacional, também é humana. Insistiu, em voz alta, ao seu staff, para que levassem ao banheiro, pois na sala em que estava, não havia lugar para o "xixi". "Quero fazer xixi, quero fazer xixi." E o batalhão de jornalistas se ocupou da frente do banheiro para colher mais algumas palavras.Ao contrário do que ocorreu com Pelé em 2002, Gisele esteve atenta à chegada e deu a bandeirada na hora certa - ajudada por Carlos Montagner, diretor de provas - assim que o colombiano Juan Pablo Montoya cruzou a linha final. "Valeu, Rubinho, na próxima você vence", disse a modelo.Durante a corrida, por aproximadamente 30 minutos, de 14h25 a 14h55, Gisele atendeu, com exclusividade, a reportagem da Agência Estado na sala de Tamas Rohonyi, promotor do GP do Brasil. Brincou, contou histórias, deu risada e fez algumas perguntas sobre automobilismo e esporte em geral, enquanto tomava guaraná (não diet, porque não aprecia os refrigerantes diet), comia lanches e alguns salgados e olhava para a televisão. "Não como só folhas (verduras e legumes), sou como um carro de Fórmula 1, preciso de combustível", declarou a brasileira mais famosa do mundo, que participará de campanha publicitária hoje e, amanhã, estará no lançamento oficial do filme Táxi no Brasil, no qual tem participação importante.Agência Estado - O que está achando da prova (fazia uns 25 minutos que havia começado o GP)? Gisele Bündchen - Estou achando muito legal. Gostei quando o Rubinho ultrapassou aquele babaca (Kimi Raikonnen, que o havia ultrapassado na largada). Estou olhando aqui essa revista (do programa oficial do GP do Brasil, que estava sobre a mesa) e fiquei com saudade do Senna. Se ele estivesse aqui, ganharia.AE - Costuma assistir às corridas? Não, até porque não tenho tempo e, nos Estados Unidos, quase não transmitem Fórmula 1. O único dia que vi na minha vida foi em 1.º de maio de 1994. Fomos até a cama do meu pai (Valdir) para cumprimentá-lo, porque era seu aniversário, e ele gosta de automobilismo e estava vendo a corrida. Foi muito triste, depois nunca mais quis ver. Essa foi a segunda vez.AE - Não estava com medo de fazer feio como o Pelé, que não viu a chegada do primeiro colocado em 2002? Cheguei ao aeroporto (estava em Los Angeles) pela manhã e um monte de gente veio me falar: "Não vai fazer o mesmo fiasco do Pelé, hein?" Não sabia o que havia acontecido e perguntei do que se tratava. Aí me contaram.AE - O que representou para você ser chamada para dar a bandeirada? Vim para cá (cancelou um compromisso em Londres) porque não é todo dia que se tem uma oportunidade dessas. Sou brasileira, tenho orgulho de ser brasileira e vim para cá por amor, não pedi nenhum centavo. Não conheço ninguém lá fora que fale tanto do Brasil quanto eu.AE - Gosta de esportes ou não? Gosto, mas não tenho muito tempo para ver jogos. Quando posso, vejo o Guga. Além de talentoso, é muito gente fina, eu o adoro. (Em seguida, interrompe) Nossa, ver Fórmula 1 me deixa nervosa, angustiada (declarou, assim que viu o acidente com os carros Jaguar).AE - Assistiu à Olimpíada de Atenas? Vi o que pude. Adoro vôlei, vôlei de praia. Fiquei com uma raiva das americanas (Walsh e May) que ganharam a final do vôlei de praia contra as brasileiras (Adriana Behar e Shelda)... Assisti a um pouco de natação, de saltos ornamentais, ginástica. Gostei muito da moreninha (Daiane dos Santos), foi uma pena que ela não ganhou, talvez estivesse um pouco nervosa, mas foi bem demais. Ah, também gosto de hipismo.AE - Sabia que o Rodrigo Pessoa pode ficar com o ouro da Olimpíada? É, por quê? AE - Porque o cavalo do vencedor estava dopado.Eu monto, sabia? Tenho dois cavalos, mas sempre caio, sofro acidente.AE - Não tem medo? Você depende do corpo para sua profissão...Não tem problema. Salto até 1,20 metro. Mas caí feio pelo menos umas duas vezes. Houve uma vez, há um ano e meio, em que eu estava montando e o cachorro da minha treinadora passou na frente do cavalo. O cavalo pulou bem alto, conseguiu desviar, mas ficou louco. Levei um tombão. Não conseguia respirar, pensei que fosse morrer.

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