GP Brasil: a menina dos olhos do turismo de São Paulo

Prefeitura e setor hoteleiro se aproveitam da corrida, devido ao alto volume de dinheiro que entra nos caixas

Pedro Henrique França e Amanda Valeri, Agência Estado

17 de outubro de 2007 | 17h39

Os boxes já estão a todo vapor. Pilotos e suas respectivas equipes acertam os últimos detalhes no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. É o Grande Prêmio do Brasil, que chega, pelo terceiro ano consecutivo, com sabor de disputa - e das grandes. Uma competição como a de 2007 não se via há mais de 20 anos no grid brasileiro. Em 1986, Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost disputavam ponto a ponto o troféu de campeão, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Naquele ano, a disputa ficava entre Williams e McLaren.   Veja também:    Dê uma volta pelo Circuito de Interlagos  Classificação do Mundial  Dirigente acusa ingleses de esconder racismo atrás de Hamilton   Hoje, em 2007, os nomes mudaram - as equipes nem tanto. Sai Williams, entra Ferrari. A McLaren continua na briga, desta vez com os pilotos Lewis Hamilton e Fernando Alonso. Da escuderia italiana, o finlandês Kimi Raikkonen é o homem que pode trazer a estatueta. O brasileiro Felipe Massa, também da Ferrari, está em quarto lugar e sem chances de disputa. No máximo, vence a corrida e repete o feito de Emerson Fittipaldi em ser apenas o segundo brasileiro a ganhar o GP do Brasil de forma consecutiva.   Mas não é só esporte e adrenalina que espera a capital paulista durante estes três dias de Fórmula 1, que começa nesta sexta-feira com os treinos e culmina com a corrida oficial no domingo. Prefeitura e setor hoteleiro vêem a corrida como a menina dos olhos, devido ao alto volume de dinheiro que entra nos caixas por conta do turismo que o GP Brasil atrai. Trata-se do principal evento turístico da cidade de São Paulo, que ocupa praticamente 100% da rede hoteleira, além de trazer ganhos a outros setores de negócios - desde locação de carros ao mundo do entretenimento paulistano.   De acordo com o presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Caio Carvalho, o número de turistas estimados durante o GP chega a 120 mil. Este número deve deixar na cidade um montante previsto de R$ 230 milhões, "limpos para a cidade". Segundo Carvalho, o tempo de permanência na cidade varia entre três a cinco dias, período suficiente para cada um gastar, em média, R$ 800 por dia. "Cerca de R$ 140 são gastos no próprio Autódromo, sendo o restante em comércio, restaurantes, casas de espetáculos, entre outros", explica o presidente da SPTuris.   Carvalho frisa que o GP Brasil é o evento mais importante em termos de arrecadação. "É o número 1 da cidade", diz. Mas os números ficam ainda mais elevados quando a corrida ocorre paralelamente com o Salão do Automóvel. Bienal, o evento automotivo não estará em 2007. Quando os eventos coincidem, o turismo "explode" em São Paulo, diz o presidente do órgão de turismo paulistano, a ponto de alguns turistas se hospedarem em hotéis de um raio de até 100 quilômetros da cidade.   Para 2007, Carvalho conta que a Prefeitura investiu R$ 36 milhões. Deste número, R$ 12 milhões foram destinados exclusivamente ao Autódromo de Interlagos, em reparos na pista ("que foi totalmente refeita") e em lugares definitivos (8.390). Em 2004, o gasto com arquibancadas móveis representava 50% dos custos, caindo para 35% este ano. "A tendência é este índice diminuir para 20%. Nos próximos dois anos, devemos economizar R$ 6 milhões graças às obras realizadas em 2007", avaliou.   O setor hoteleiro já se consolidou em termos de Fórmula 1. Sem novas ofertas de hospedagem, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo(ABIH-SP), conta que os 46 mil quartos disponíveis hoje já estão ocupados. "Não há mais disponibilidade", diz o presidente da ABIH-SP, Mauricio Bernardino. "Como a oferta de quarto não cresceu nos últimos três anos, os números estão estáveis, pois vendemos tudo o que temos. Para aumentar, teria que crescer a oferta", pondera.   O mais esperado evento do setor Ainda assim, ele diz que a estagnação de oferta não prejudica os negócios e exalta o GP Brasil. "É, indiscutivelmente, o principal evento pro setor hoteleiro", destaca. As reservas para o evento são bastante antecipadas. De acordo com Bernardino, 80% dos quartos já estão comercializados para a GP Brasil de 2008.   De acordo com o presidente do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), Orlando Souza, a taxa média de ocupação dos hotéis em um fim de semana comum na capital paulista varia de 30% a 35%. Nos três dias do GP Brasil, esse porcentual salta para 90%."Existem outros eventos importantes, mas nada se compara a Fórmula 1", afirma Souza.   Segundo ele, a onda de ocupação prevalece na zona sul, na região do Autódromo, segue para os hotéis da mesma região nas avenidas Luiz Carlos Berrini e Nações Unidas e continua nos bairros de Moema e dos Jardins. No cardápio, opções para todos os gostos e bolsos. "São Paulo é a única cidade na América Latina com know-how para receber um evento desta proporção, que abrange desde espectadores e amantes do automobilismo até executivos de negócios", ressalta Souza.   Segundo o executivo da ABIH-SP, em 2006 a maior audiência mundial na TV foi a Copa do Mundo, seguida pela abertura dos Jogos de Inverno da Europa e, na terceira posição, aparece o GP Brasil. "Além de ser um evento que gera riqueza, mostra São Paulo pro mundo inteiro", emenda. Trata-se de entre 350 milhões a 400 milhões de pessoas conectadas às curvas do Autódromo de Interlagos. "Veja a magnitude de pessoas que conheceu São Paulo pela TV", comenta.   O GP da Fórmula 1 em São Paulo é o evento que traz o mais lucro e projeção, de acordo com Bernardino. A Parada Gay, outro evento importante, atrai grande público, mas de menor poder aquisitivo. Já a São Paulo Fashion Week, diz o executivo, traz menos turistas, mas compensa pela repercussão. O GP Brasil sai disparado por aliar audiência e consumo. "A Fórmula 1 traz bastante gente e tem um forte perfil de consumo", reitera.   Locadora de carros   O mercado de locadoras de carros também entra no aquecimento para o GP Brasil. O setor aproveita o bom movimento do evento e investe em frota extra para a grande demanda, inclusive com ampliação de horário de atendimento durante os três dias de prova em Interlagos. "Nós esperamos registrar um crescimento de 23% em relação a média anual e superar a média dos últimos dois anos", afirma o presidente da locadora Avis Rent a Car, Afonso Celso de Barros Santos.   De acordo com o executivo, a empresa colocou à disposição 2.300 novos veículos para o período do evento, sendo a maioria da frota - cerca de 70% - formada por veículos populares. Há diferença de modelos preferidos entre turistas brasileiros e estrangeiros. "O consumidor brasileiro pergunta qual é o carro mais barato. Já os turistas internacionais pedem carros maiores e com acessórios", destaca.   A diária de um carro popular custa em média US$ 35, ou cerca de R$ 70. "É um preço competitivo em relação ao resto do mundo, apesar de sermos o país com a maior carga tributária do mundo", afirma Celso de Barros. E alerta: "A Fórmula 1 é um período de forte demanda para o aluguel de carros, ou seja, quem não reservou corre o risco de ficar a pé".

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