GP da Austrália será sob calor de 40 graus

O forte calor pode gerar um resultado surpreendente no GP da Austrália. A opinião é unânime entre pilotos e técnicos. "Realizamos os testes de inverno sob temperaturas frias", lembrou nesta quinta-feira Michael Schumacher, da Ferrari. E já nesta sexta-feira, na sessão que definirá o grid da etapa de abertura do Mundial, em função da temperatura esperada, próxima dos 40 graus, como nos últimos dias, muito do que a pré-temporada mostrou como potencial de cada equipe, e de seus fornecedores de pneus, pode não servir de referência para a definição da pole position. Assim como para o que irá ocorrer domingo, ao longo das 58 voltas da corrida, o que realmente vale na Fórmula 1. "O meu recorde em Ímola foi obtido sob temperatura de 3 graus", comentou nesta quinta-feira Schumacher, como forma de mostrar que o resultado dos testes de inverno têm valor relativo.Nesta quinta-feira a Renault já providenciou recortes na carenagem do modelo R24 para facilitar a saída do ar quente do conjunto posterior. "Ninguém nunca experimentou até agora, este ano, temperaturas sequer parecidas com estas", afirmou Rubens Barrichello, companheiro de Schumacher. Mas manifestou sua confiança na equipe: "Certamente eles levaram em conta essa questão do calor para esta prova e da Malásia." Rubinho afirmou com todas as letras: "Nunca as minhas chances de ser campeão do mundo foram tão grandes como neste ano." Ele começa o campeonato já com o modelo novo também, F2004, o que não acontecia.Mas, como destacou, há mais que isso: "Estou no melhor momento da minha carreira. Poder começar o Mundial com chances de vencer na estréia significa ter possibilidades maiores de conquistar o título." E seu otimismo não vem de um eventual relaxamento de Schumacher, vencedor dos quatro últimos mundiais, mas da sua própria evolução como piloto e do novo carro da Ferrari. "O Michael é jovem ainda na vontade de ganhar, seria bom se ele achasse que já conquistou muito, mas não é o caso. Digo porque sinto-me muito bem preparado física e mentalmente." Na sua visão também, os italianos gostariam de ver outro piloto, distinto de Schumacher, sendo campeão pela Ferrari.O resultado das duas sessões de treinos livres realizadas desta quinta-feira no circuito Albert Park, esta madrugada no Brasil, não devem expressar igualmente aquilo que cada time pode conseguir ao longo do ano. "Diria que nem domingo, depois da corrida. Serão precisas algumas etapas para ver quem tem mais chances de ser campeão", disse Juan Pablo Montoya, da Williams, que, como o amigo Rubinho, se auto-intitula candidato sério ao título: "Fiz 7 mil quilômetros de testes, há muitos anos a Williams não inicia tão bem o Mundial. Perdi o campeonato do ano passado porque o FW25 quebrou nas primeiras provas, por isso treinamos tanto, visando maior confiabilidade no carro."Protocolo - O colombiano procurou explicar-se sobre o incidente do dia anterior. Numa entrevista coletiva promovida por um patrocinador da Williams, a Allianz, abandonou o evento ao sentir-se destratado por dois artistas que trabalham para um programa cômico. "Conversei com Frank Williams e ele me falou que ao menos fiz bem em ser educado com eles. Aquele era um ambiente profissional, não para perguntar se desejava jogar golfe com minha avó. Levantei e fui embora." Contou mais: "Claro que o patrocinador não queria que eu deixasse o local, mas no fim entenderam meus argumentos." Os cuidados da assessoria de imprensa com o tema apenas reforçam a impressão de que, na realidade, a Allianz não gostou nada do seu comportamento.

Agencia Estado,

04 de março de 2004 | 12h58

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