GP da Malásia deve ser mais acirrado

Tudo indica que, para o bem da Fórmula 1, será mais difícil para Michael Schumacher e Rubens Barrichello, da Ferrari-Bridgestone, vencerem o GP da Malásia, nesta madrugada de domingo, em 55 voltas, com largada às 4 horas (horário de Brasília). As combinações McLaren-Michelin, de Kimi Raikkonen e David Coulthard, e Williams-Michelin, de Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher, mostraram-se, durante os treinos no belo e tórrido circuito de Sepang, bem mais velozes que na abertura do Mundial, dia 3 na Austrália. Isso, claro, se as fortes chuvas que caem sobre Sepang, cessarem. Uma nova vitória do alemão, neste domingo, com a enorme superioridade imposta a seus adversários em Melbourne, e ainda com o modelo de 2001 da Ferrari, será danoso para os interesses da F-1. Mas ela parece estar longe de ocorrer, ao menos naquelas proporções. "Por uma combinação de razões, como a pista molhada na sexta-feira e o conhecimento que a Ferrari tem do seu carro, dentre outros, acabaram, na Austrália, por mascarar o nosso potencial", afirmou Raikkonen. O modelo MP4/17 da McLaren, se confirmar neste domingo na corrida o que se espera dele, em razão do apresentado nos treinos em Sepang, pode não só dificultar bastante as pretensões da Ferrari como até mesmo antecipar para o GP do Brasil, dia 31, a estréia do seu novo carro. E determinação não faltará aos pilotos da McLaren e da Williams. Na primeira sessão dos treinos de sexta-feira, o carro de Coulthard pegou fogo na carenagem que cobre o motor, depois de um problema no sistema de escape. Com a fumaça invadindo o cockpit, o escocês parou na curva 11, tendo completado até então apenas 4 voltas. Como se alguém lhe prestasse assistência não poderia treinar mais o dia todo, não teve dúvida: empurrou o carro, pela grama, por mais de um quilômetro, até chegar aos boxes, sob a temperatura de 34 graus. Sem essa tenacidade nenhum dos pilotos também completará as extenuantes 55 voltas da corrida, descrita por eles como "a mais difícil das 17 do calendário", em razão do calor elevadíssimo. Para que a corrida seja normal, ou seja, com os 22 inscritos na pista, é preciso que na primeira curva, depois da largada, os pilotos se comportem melhor que em Melbourne, quando nada menos de oito carros ficaram de fora da competição por causa de um acidente. Sexta-feira, em Sepang, na reunião do diretor de prova, Charlie Whiting, com os pilotos, Rubens Barrichello foi acusado, por alguns colegas, de ter causado aquele "estrago", por fazer zigue-zague na frente de Ralf Schumacher. "Aqui todos são profissionais e devem saber como agir nessa hora. Por enquanto, não há razão para mudar a regra do jogo", falou Whiting, que adiantou, porém, que será muito mais rigoroso com a questão de o piloto poder mudar de direção apenas uma vez na largada. "Os transgressores serão punidos imediatamente." A pena mais branda, no caso de o piloto não causar nenhum acidente, apenas desobedecer a regra, será um stop and go de 10 segundos. Fator determinante - É grande a expectativa com relação à disputa entre os dois fabricantes de pneus e que no caso do GP da Malásia, mais do que em outros circuitos, será determinante para apontar o vencedor da corrida. Com a temperatura do ar na casa dos 34 graus e do asfalto, 44, prevista para a hora da prova, a segunda etapa do campeonato é muito mais um exame de resistência que de velocidade. E os pneus, junto do motor, transmissão e freios, estão entre os componentes mais exigidos nessas condições. É esperado um número grande de desistências por falhas do equipamento. A história do GP da Malásia sugere que a maioria dos pilotos irá optar por dois pit stops. O circuito é longo, 5.543 metros, e há várias curvas de alta velocidade, o que submete os pneus a grande desgaste. Retrospecto - O retrospecto da corrida é amplamente favorável à Ferrari: venceu as três edições até agora realizadas, 1999 com Eddie Irvine e nos dois últimos anos com Schumacher. Salvo qualquer problema, o Brasil terá além de Barrichello na Ferrari, Felipe Massa, na Sauber, e Enrique Bernoldi, Arrows. A TV Globo transmite o GP da Malásia, ao vivo, a partir das 4 horas.

Agencia Estado,

16 Março 2002 | 09h32

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