GP do Japão pode encerrar uma era

A prova que começa na madrugada de domingo, com largada às 2h30, pode decretar o fim de uma era de mais de meio século da Fórmula 1.O GP do Japão, em Suzuka, última etapa da atual temporada, dominada por Michael Schumacher e a Ferrari, talvez seja a derradeira de uma filosofia que orientou a competição desde a sua origem: a corrida tecnológica e de quem pode investir mais tem maior importância que a disputa esportiva. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) propôs para ser votado dia 28, pela Comissão de Fórmula 1, um pacote que se, aprovado, quase despreza a concorrência técnica na tentativa de tornar o Mundial mais competitivo, sem a previsibilidade de resultados deste ano. Não há perspectiva de que o projeto de Max Mosley, presidente da FIA, e Bernie Ecclestone, promotor da Fórmula 1, seja acatado como eles desejam. Há resistência para quase todos os nove pontos de alterações drásticas propostos pelos dois, os principais dirigentes da Fórmula 1. Mas como já afirmou Mosley, "o que não podemos fazer é sentar e não discutir nada". A queda de audiência nas transmissões de TV, causada em especial por causa da vantagem da Ferrari, quase sem precedentes na Fórmula 1, gerou a mudança histórica de postura em Mosley e Ecclestone. A opinião pública pode acusá-los de tudo, de que se beneficiarem financeiramente com o poder no automobilismo, por exemplo, mas ninguém pode negar que defendem os interesses da competição como poucos fizeram. Se a sua proposta conseguiria transformar o Mundial num espetáculo como eles imaginam não se sabe, mas ao optar por uma conduta antagônica a tudo o que durante décadas eles usaram como bandeira, e tantas brigas compraram justificando-a, sugere que o momento é mesmo delicado. É bem provável que depois da bandeirada ao vencedor, nesta madrugada, com muita probabilidade a um piloto da Ferrari, Mosley e Ecclestone dêem graças a Deus de o campeonato ter acabado. E por mais contraditório que possa parecer, a equipe que eles fizeram de tudo, até marmeladas homéricas, como sua absolvição no GP da Malásia de 1999, para vê-la campeã, a Ferrari, tornou-se agora a vilã da história. Apesar de eles negarem, o conjunto de medidas que pretendem aprovar já para 2003 é uma agressão sem limites aos interesses dos italianos. O GP do Japão, no seletivo circuito de 5.859 metros de Suzuka, terá 53 voltas. A pista é uma das raras hoje no calendário da Fórmula 1 onde a maior competência de um piloto pode dar-lhe a vantagem de alguns décimos numa volta. Mas é preciso assumir alguns riscos. Ao contrário do que se imagina, o traçado japonês apresenta trechos, como o veloz S atrás dos boxes, com pequenas áreas de escape, expondo os pilotos a choques perigosos. Foi lá que Nigel Mansell, da Williams, em 1987, bateu nos treinos e, ferido, nem disputou a prova, garantindo o título a Nelson Piquet, seu companheiro. Os treinos livres de sexta-feira indicam que a Michelin, marca dos pneus da McLaren e Williams, desenvolveu pneus bem apropriados para Suzuka, apesar de se tratar da casa da Bridgestone, pneu da Ferrari. De repente, como que por milagre, na última etapa do ano seja possível assistir a um belo pega entre os pilotos dessas equipes, o que não ocorreu no campeonato todo. A Rede Globo transmite o GP do Japão ao vivo.

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