GP Rio de Moto foi o último das 500cc

O "arcaico" circo da motovelocidade, que se despediu do Brasil neste fim de semana, não será o mesmo quando retornar ao Rio no próximo ano, por causa da invasão das "modernas" motos equipadas com os motores de quatro tempos (1000 cilindradas). Durante 53 anos, as máquinas de 500cc foram a elite da modalidade e deram um honroso adeus ao seu monopólio, no sábado, com a brilhante vitória do piloto italiano Valentino Rossi, da equipe Nastro Azzurro Honda, na última etapa do Mundial, o GP Rio disputado no autódromo de Jacarepaguá.Campeão de 2001, Rossi será o principal responsável pela reintrodução das motos com motores de quatro tempos. Além do piloto italiano, que já realizou testes com sua nova Honda e não a aprovou, o campeão desta temporada nas 250cc, que em 2002 vai para as 500cc, o japonês Daijiro Katoh, e Loris Capirossi já confirmaram a opção pela "modernidade".O piloto brasileiro Alexandre Barros, quarto colocado no GP do Rio, usará uma moto com motor dois tempos no próximo ano e, tecnicamente, explicou o que significa esta mudança: "As motos de quatro tempos são mais pesadas e potentes. Para você dar partida no motor são necessárias quatro etapas".Por causa das mudanças no regulamento, permitindo a volta das motos de quatro tempos, a categoria 500cc terá seu nome trocado para Moto Grand Prix (Moto GP) em 2002. As alterações no esporte foram motivadas pelas pressões feitas por algumas fábricas de motores da Fórmula 1, interessadas no crescente mercado das motos.Alexandre Barros acredita que em no máximo três anos a categoria principal da Motovelocidade será muito parecida com a F-1 e terá todos os seus recursos tecnológicos. Ele previu que 2002 poderá ser seu grande ano, já que vai utilizar um equipamento equivalente ao que a Honda disponibilizaria para Rossi (se ele não tivesse optado pela mudança)."A próxima temporada vai ser uma incógnita. As motos quatro tempos podem ser mais potentes, porém não estão sendo testadas em todos os circuitos", disse Alexandre Barros. O piloto brasileiro afirmou que o fato das motos dois tempos terem ajustes para todas as pista será uma vantagem. "Qualquer centésimo de segundo a favor pode significar uma vitória e até o título." Adeus - O GP do Rio pode ter marcado também a despedida do piloto espanhol Alex Criville, campeão mundial das 500cc em 1999. Aos 31 anos, ele não renovou contrato com a Repsol YPF Honda Team e ainda não conseguiu uma equipe para o próximo ano. Segundo Criville, suas esperanças estão depositadas na possibilidade de a Aprilia lhe permitir desenvolver o projeto da moto com motor 4 tempos da fábrica. No total, ele já participou de 193 corridas, obteve 20 vitórias e subiu 66 vezes no pódio. Na prova do Rio, no sábado, ficou na sétima posição.

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