GP vira laboratório para olimpíada

Nada menos que 6.500 pessoas foram escaladas para trabalhar dentro de Interlagos para o GP do Brasil de Fórmula 1, com audiência prevista para 900 milhões de telespectadores em todo o mundo. Ricardo Leyser Gonçalves, chefe de gabinete da secretária Nádia Campeão, de Esportes, Lazer e Recreação, é o coordenador da F-1 e também responsável pelo plano de utilizar o evento como laboratório para a "briga" de São Paulo, primeiro contra o Rio de Janeiro, pela candidatura à Olimpíada/2012. Em seu terceiro GP, acumulou experiência em relação a organização e capacitação de pessoas, a planejamento de reformas e recuperação, como do autódromo, muito útil para o desafio olímpico. E também experiência na resolução de problemas: não dormiu de sábado para domingo, por exemplo, alerta por conta das liminares relacionadas à proibição da propaganda de cigarros, das quais poderia depender a realização do GP. O São Paulo Convention Bureau fez uma parceria com a Secretaria Muncipal para a Market System captar recursos de empresas para a publicação de um livro sobre o GP do Brasil, "vendendo" o potencial da cidade na organização e realização de eventos. Esse livro, que terá 180 páginas, bilingüe, e deverá ser lançado em dois meses, está sob a responsabilidade de Alexandre Carvalho e uma equipe de jornalistas e fotógrafos, e será um verdadeiro "raio-X". "Este é o maior evento esportivo internacional em São Paulo. É óbvio que uma Olimpíada é 25 vezes maior, mas isto é a micro-escala da coordenação de transporte, segurança, alojamento, atendimento médico, abastecimento de água, fornecimento de luz...", diz o coordenador do GP, que tem 32 anos e formação em consultoria e gestão do terceiro setor, além de administração pública e ciência política. Para Leyser, houve uma evolução grande na capacidade da prefeitura de organizar o evento, assim como das próprias pessoas envolvidas. São 50 pessoas trabalhando seis meses apenas para o GP na Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, mas na semana da corrida esse número sobe a 5 mil, contadas todas as áreas, de transporte, segurança etc. Este ano o desafio foi duplo, porque ao mesmo tempo em que se partia para a coordenação do GP do Brasil, a Seme também seguia seu trabalho com o comitê de postulação pela candidatura de São Paulo a "pré-candidata" olímpica, contra o Rio de Janeiro. Leyser destaca a "sintonia fina" do município com o governo estadual e ainda com a iniciativa privada, para depois destacar. "Temos de entregar os dossiês para o Comitê Olímpico Brasileiro até o próximo dia 15, para depois eles começarem as visitas." A escolha da representante brasileira na postulação à candidatura pela Olimpíada/2012. O esporte, funcionando como ?motor? Alexandre Carvalho é o responsável pelo livro sobre o GP, que terá ainda o trabalho de mais cinco jornalistas e três fotógrafos, um deles "reservado" apenas para fotos de bastidores em preto e branco. Trabalhando 18 horas por dia há duas semanas, Alexandre diz que estão sendo levantadas todas as informações possíveis sobre o GP, que vão da Limpurb - quantas pessoas estão envolvidas e o que fazem -, até a grande operação logística que é transportar os carros da F-1 do aeroporto até o autódromo. "A CET, por exemplo, faz uma ponte com agências de turismo para traçar o trajeto dos ônibus, suas credenciais... São três dias de GP mas o trabalho é por todo o ano e é preciso uma capacidade incrível para gerenciar tudo isso." Alexandre, que não era um grande fã de esportes, se diz surpreso justamente com "o esporte movendo a engrenagem de toda uma cidade". Em seu livro, conta, haverá uma apresentação dos planos de turismo e marketing da prefeitura e depois serão dissecados os serviços relacionados ao GP de órgãos municipais, como esquema tático de transporte, segurança, polícia federal (no aeroporto), vigilância sanitária, turismo, habitação, assessibilidade ao deficiente, obras, dentre outros. Também estará documentado a organização da International Promotions, responsável pelo GP, com sua logística, empresas contratadas para o serviço VIP, por exemplo, tevê, transporte aéreo, helicópteros, a preparação do autódromo com suas obras.... "No caso da tevê, o sistema foi desenvolvido no Brasil, com 25 câmeras, 16 delas do autódromo e nove da Rede Globo, e é incrível." (Tanto que poderá ser adotado como padrão pela Federação Internacional de Automobilismo para os demais GPs.) Diretamente sobre a corrida, há a tecnologia, o desembarque e a movimentação de cargas para os boxes, os pilotos e carros na pista, os centros VIPs de empresas, estandes fora do autódromo, como das rádios. "Completando tudo isso, haverá uma espécie de guia, com números da cidade e do evento, tabelas e a infra-estrutura de todos os órgãos municipais envolvidos, o que é o esporte na cidade..."

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