Nelson Almeida/ AFP
Nelson Almeida/ AFP

Grid da Fórmula 1 terá poucas mudanças na próxima temporada

Renovação entre os pilotos vai ser a menor das últimas temporadas

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2015 | 07h00

 O fim da temporada da Fórmula 1 é de grande pasmaceira no mercado de pilotos. Ao contrário de anos anteriores, a movimentação é baixíssima, a menor das sete últimas janelas. Do atual grid, apenas o francês Romain Grosjean confirmou a mudança de equipe para 2016. Agora restam somente cinco vagas abertas, com a tendência de manutenção de parte delas por seus atuais donos.

O quadro de estagnação é bem diferente da intensa movimentação do ano passado. A categoria ficou agitada pelas trocas de equipes de campeões do mundo, como Sebastian Vettel - transferiu-se para a Ferrari -, e Fernando Alonso, que retornou à McLaren. A intertemporada teve também a chegada de quatro estreantes, um deles o mais jovem da história. O holandês Max Verstappen estreou pela Toro Rosso aos 17 anos.

A pouca movimentação tem como um dos motivos exatamente a chegada do garoto à categoria. A precocidade do piloto criou polêmica na Fórmula 1 e levou a FIA a mudar a regra e ser mais exigente para liberar a entrada de novatos. A partir de 2016 passam a valer exigências como idade mínima de 18 anos e experiências prévias como passagens em categorias de base e participação em testes. Se isso já estivesse em vigor, Verstappen e seu companheiro de equipe, Carlos Sainz, não poderiam ter estreado.

Os obstáculos para contratar jovens fazem com que até agora apenas um estreante esteja confirmado para a próxima temporada. Aos 24 anos, o inglês Jolyon Palmer, ex-campeão da GP2, será piloto da Lotus na vaga de Grosjean. “Está incrivelmente difícil chegar à Fórmula 1. Vencer a GP2 não é suficiente, porque também pesa muito o lado comercial para ganhar espaço”, explicou ao Estado.

Grosjean fechou contrato para guiar pela nova equipe. A americana Haas, apesar de novata, preferiu não chamar “calouros”. O francês terá ao lado dele o mexicano Esteban Gutierrez, que ficou fora da categoria em 2014 após duas temporadas na Sauber. 

“A Fórmula 1 vive de ciclos. O regulamento muda, tenta-se evoluir e alguns erros aparecem. Vivemos uma época difícil mesmo”, comentou.

A ausência de novidades nas transferências deixa ainda mais parado o fim de um campeonato já decidido, mas não incomoda quem promove a categoria. “Acho que a ausência de mudanças é porque todos estão felizes nas atuais equipes. Para mim, não é tão positivo ter trocas de pilotos todos os anos”, disse o chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone.

SEM ACESSO

O baixo índice de renovação se explica não só pela necessidade de conseguir levar patrocínios para as equipes. A Fórmula 1 não tem uma categoria que pode ser usada fielmente como reveladora de pilotos. Criada para essa finalidade, a GP2 não desfruta do mesmo prestígio, e pouco tem conseguido promover pilotos.

Nas duas últimas temporadas, somente três dos 11 estreantes vieram dessa categoria, e nenhum deles precisou ser campeão para conseguir vaga em algum cockpit. 

Na Fórmula 1, o descrédito da GP2 se explica pelo formato das etapas. Como são realizadas em rodada dupla, com o grid invertido para a segunda parte somente para os oito primeiros colocados, as corridas costumam ter vencedores muito variados ao longo da temporada.

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