François Lenoir/Reuters
François Lenoir/Reuters

Grupo Estratégico inicia sua história na Fórmula 1

Será dele que sairão as mudanças no regulamento, mas só seis equipes podem votar

Livio Oricchio, Enviado Especial - O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 13h35

NICE - Dentre as novidades do recente Acordo da Concórdia, houve uma alteração importante na forma de se introduzir mudanças técnicas e esportivas na Fórmula 1. Essencialmente, as propostas são, agora, responsabilidade do recém-criado Grupo Estratégico (Strategy Group) que se reuniu nesta segunda-feira pela primeira vez. Foi nas edificações do histórico aeroporto Biggin Hill, ao sul de Londres, de propriedade de Bernie Ecclestone. As unidades da Royal Air Force, instaladas no aeroporto, representavam a primeira linha de defesa do território britânico contra os ataques da Luftwaffe, a força aérea alemã, durante a Segunda Guerra Mundial.

Na versão anterior do Acordo da Concórdia, as alterações técnicas do regulamento eram estudadas pelo Grupo Técnico de Trabalho (TWG - Technical Working Group) e as esportivas pelo Grupo Esportivo de Trabalho (SWG - Sporting Working Group). Nos dois grupos, TWG e SWG, as mudanças técnicas e esportivas representavam o resultado de intensos debates dentre os seus integrantes. Havia representantes de times grandes e pequenos.

Na sequência, as deliberações eram encaminhadas para a Comissão de Fórmula 1, onde, aí sim, todos os times tinham representação, mais a FIA, como autoridade esportiva, a FOM, dos direitos comercias, mais representante dos fornecedores da Fórmula 1, como companhias de petróleo envolvidas na disputa, organizadores de GP e patrocinadores. A Comissão não tinha direito de propor mudanças. Apenas aprovar ou rejeitar. Mas todos os projetos definidos pelos grupos técnico e esportivo eram aprovados.

Isso não mudou. A Comissão continua com as mesmas atribuições. Assim como depois de aprovada pela Comissão as novas medidas seguem para o Conselho Mundial da FIA, para homologação. Seu histórico não é de contestação.

SEIS EQUIPES VÃO MANDAR

Apenas os representantes de seis escuderias estavam hoje no primeiro encontro do Grupo Estratégico: Red Bull, Ferrari, Mercedes, McLaren e Williams, as cinco com direito assegurado no Grupo, mais a equipe melhor classificada depois das quatro grandes, Red Bull, Ferrari, Mercedes e McLaren. Este ano, em particular, é a Lotus. A Williams faz parte do Grupo Estratégico por conta da sua história na Fórmula 1.

Essas cinco organizações, Red Bull, Ferrari, Mercedes, McLaren e Williams são também as que recebem mais dinheiro da FOM ao fim da temporada. A FOM deposita o que têm direito pela classificação no Mundial de Construtores mais o bônus pelo que representam para a Fórmula 1. As demais equipes, Force India, Sauber, Marussia e Caterham não fazem parte do Grupo Estratégico. A Toro Rosso, por pertencer a Red Bull, não foi atingida.

FIM DA UNANIMIDADE

Propõem e votam no Grupo Estratégico, em outras palavras definem, portanto, o futuro da Fórmula 1 representantes das cinco equipes mencionadas, Red Bull, Ferrari, Mercedes, McLaren, Williams e, hoje, a Lotus, mais seis elementos da FIA e seis da FOM. No total são 18 votos.

Importante 1: uma proposta técnica ou esportiva que surja no Grupo Estratégico precisa de apenas 70% dos votos para ser aprovada, ou 12 votos.

Importante 2: acabou a necessidade da unanimidade para aprovação de uma medida, mesmo durante a temporada. Os 70% já a garantem. Este ano, por exemplo, a Pirelli precisava substituir seus pneus por outros de construção distinta e não pôde porque Ferrari, Lotus e Force India, que melhor administravam os pneus do começo do campeonato, não concordaram.

Com a nova regra, se 70% dos participantes do Grupo Estratégico aprovarem a mudança, no caso técnica, já será suficiente. Se a discussão for de natureza esportiva, o Grupo de Trabalho Esportivo, preservado pela reestruturação do novo Acordo da Concórdia, tem o direito de vetar ou concordar. Não mudar. Mas o Grupo Esportivo de Trabalho é formado principalmente por representantes dos times e mesmo que um deles conteste, por pertencer a uma escuderia pequena, perderá na votação.

EXCLUSÃO SUMÁRIA

Parece ter ficado claro, agora, que Force India, Sauber, Marussia e Caterham não têm mais direito algum nos destinos da competição. No encontro desta segunda-feira do Grupo Estratégico foram discutidos temas relativos ao fornecimento de pneus para a Fórmula 1 no período de 2014 a 2018, possivelmente pela Pirelli, o controle de testes de pneus e redução dos custos em geral da competição. Estas informações sobre a pauta do encontro estão num texto colocado no ar pelo site da revista inglesa autosport.

Monisha Kaltenborn, sócia e diretora da Sauber, e Bob Fernley, diretor da Force India, os mais prejudicados pela criação do Grupo Estratégico, estão revoltados. Sentem-se deixados de lado por todos, os demais times, a FOM e até a FIA. O que o Grupo Estratégico decidir chegará pronto a Sauber, Force India, Caterham e Marussia.

O texto do site da Autosport desta segunda-feira destaca o receio da Sauber e Force India de o Grupo Estratégico aprovar uma mudança que o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, defende há tempos: a liberdade de vender ou ceder seus carros a outras equipes. “Já imaginou uma escuderia norte-americana vir para a Fórmula 1 e correr com um dos nossos carros? Já imaginou o interesse que isso provocaria?”, costuma questionar Montezemolo.

Com a nova forma de gerir o destino da Fórmula 1, onde os grandes vão legislar sem contestação, praticamente, parece ser bem possível que serão introduzidas novidades já a curto prazo. Se esse modelo de apenas os ricos se manifestarem vai funcionar apenas o tempo dirá.

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