Guerra e doença ameaçam GP

Chegar na Malásia, onde domingo será disputada a segunda etapa do Mundial, não será problema para os integrantes das equipes de Fórmula 1. A maioria está desembarcando nesta quarta-feira em Kuala Lumpur, capital do país. Já retornar para a Europa...O iminente ataque dos Estados Unidos ao Iraque, nesta quarta talvez, vai pegar a Fórmula 1 longe de casa. E há ainda outra ameaça a seus artistas: o risco de contrair uma espécie de pneumonia cujo agente etiológico ainda nem é conhecido. Foram constatados vários casos da doença no sudeste asiático.Pode ser que antes de ficar quebrando a cabeça sobre qual será a melhor estratégia a ser adotada no GP da Malásia, os responsáveis pelas escuderias tenham de planejar como retornar para a Inglaterra, Itália, França, Alemanha e Suíça, nações com times no Mundial. A rota normal dos vôos que partem da Malásia ou de Cingapura, a apenas uma hora de vôo de Kuala Lumpur, para a Europa prevê o sobrevôo do norte da Índia, Afeganistão, Irã, Azerbaijão, o leste da Turquia, Mar Negro e finalmente o Velho Mundo. Quer dizer, quase nada a ver com o conflito em questão.Uma vez estabelecida a guerra, terá de haver completo remanejamento da rota aérea entre a Ásia e a Europa, o que não se faz de um dia para o outro, em geral. A expectativa agora é de que todos esses problemas acabem por não afetar a programação do embarque dos equipamentos para a etapa seguinte do campeonato, o GP do Brasil, dia 6 em Interlagos. Não bastasse a disputa militar entre George Bush e Sadam Hussein, a Fórmula 1 tem também de conviver com o início de um foco epidêmico de uma pneumonia que já matou gente em Hongcong e em cidades chinesas próximas. Até mesmo em passageiros desembarcados na Europa, procedentes de Cingapura, foram diagnosticados casos da doença, para a qual o tratamento clássico com antibióticos nem sempre dá resultado.Nesta terça-feira havia pouca gente no belíssimo e funcional autódromo de Sepang. Muitas caixas com os componentes dos carros estavam ainda fechadas, dentros dos boxes, aguardando a chegada dos mecânicos e engenheiros, nesta quarta. Como está ocorrendo desde domingo, choveu forte durante toda a tarde. Cristiano da Matta, da Toyota, não conteve a ansiedade e foi conhecer o circuito, tão logo desembarcou na Malásia."Que maravilha", comentou, depois de descer de um carro de passeio e ter percorrido várias vezes o traçado de 5.543 metros, como passageiro.O regulamento não permite que os pilotos dirijam na pista na semana de corrida, nem mesmo com veículos de série."O circuito tem sequências espetaculares de curvas." O calor o impressionou. "Uma hora lá, no meio do asfalto, subia um calor impressionante e olha que naquele instante tinha até uma sombrinha para refrescar." A temperatura, antes da chuva, por volta das 14 horas, era de 36 graus e a umidade do ar, 80%, condição normal na Malásia nessa época do ano. Cristiano concordou que "será imprescindível" estar bem preparado fisicamente para suportar as desgastantes 56 voltas da corrida, sem perder a concentração e desempenho, por causa da fadiga.Curiosamente, esse estresse atinge também os carros. Nesta terça não foi possível observar ainda, mas já nesta quarta quando começa a sua montagem algumas soluções desenvolvidas pelos técnicos para atenuar o problema serão visíveis, como a perda de parte da eficiência aerodinâmica em troca de maior ventilação para os radiadores de água e óleo, por exemplo. É comum também os carros apresentarem pequenas recortes na carenagem para criar um fluxo de ar constante para o piloto, dentro do cockpit. Cristiano vê, sim, interferência da guerra na Fórmula 1: "Não sou a pessoa certa para falar, mas como afeta a economia mundial, chegará aqui também." A prova será a primeira depois dos ensinamentos da etapa de Melbourne, disputada dentro do novo regulamento, bem como a primeira em circuito fechado de velocidade e não pista de rua, o que também muda suas características. Será interessante verificar, por exemplo, se as equipes serão mais uma vez conservadoras na estratégia para a classificação, sábado, bem como quais foram as saídas criadas pelos mecânicos para mexer nos carros no curto espaço de tempo, 15 minutos, entre o fim do warm-up, sábado, e a classificação, já que depois disso não mais podem alterar nada até a corrida. O desafio causou problemas para várias escuderias na Austrália.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.