Jorge Núñez/EFE
Jorge Núñez/EFE

Hamilton corre no México para festejar o penta na Fórmula 1

Piloto da Mercedes conta com talento e erros dos rivais da Ferrari nesta temporada; basta um sétimo lugar neste domingo

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2018 | 05h00

Lewis Hamilton está prestes a se tornar o mais novo pentacampeão da Fórmula 1. Somente outros dois pilotos alcançaram tal feito na história: o argentino Juan Manuel Fangio, dono de cinco troféus, e o alemão Michael Schumacher, com sete. O penta será sacramentado neste domingo, no GP do México, a partir das 16h10 (horário de Brasília), se o piloto da Mercedes chegar entre os sete primeiros colocados.

Ele fica com o troféu mesmo se for muito mal. Para tanto, o alemão Sebastian Vettel não poderá ganhar a prova. Será a segunda chance do britânico. A primeira foi nos EUA, no fim de semana passado, mas ele não aproveitou a oportunidade. Mesmo que não fature o título na Cidade do México, ainda terá a chance nos GPs do Brasil e de Abu Dabi, em novembro. Com a vantagem de 70 pontos no campeonato, o troféu parece apenas questão de tempo. Hamilton vai largar em terceiro no México.

O quinto título de Hamilton vem sendo construído a partir de grandes performances, alguma ajuda do companheiro, Valteri Bottas, e também com a ajuda dos inúmeros erros da rival Ferrari. Por sua parte, o britânico não deixou dúvidas quanto ao seu nível de pilotagem: são nove vitórias até agora e exibições inquestionáveis. Os resultados surpreendem porque é unanimidade que pela primeira vez desde o início do seu domínio, em 2014, a Mercedes não tem o carro mais veloz do grid. 

“Esta foi a melhor temporada do Hamilton na Fórmula 1”, destaca Luciano Burti, ex-piloto e comentarista da TV Globo. “Durante um bom pedaço do ano, ele teve um carro inferior. E mesmo assim conseguiu vencer provas. O que mais surpreendeu a todos foi justamente ele ter superado Vettel e a Ferrari mesmo com um carro em nível abaixo.”

Mesmo tendo um início de temporada de pouco destaque, Hamilton manteve a consistência ao longo do ano. Se não conseguiu superar o rival alemão nas primeiras etapas, o inglês não desanimou e manteve o foco até deslanchar na segunda metade da disputa. Foram quatro vitórias consecutivas, entre os GPs da Itália e do Japão. “Sua maior qualidade neste ano foi a de errar pouco”, atesta Burti.

A qualidade de Hamilton foi justamente a fraqueza da Ferrari. Os erros constantes da equipe e do piloto derrubaram Vettel da liderança. O momento determinante aconteceu no GP da Alemanha, no fim de julho. A 15 voltas do fim, o alemão se desconcentrou, acertou a proteção e saiu da prova. Era o líder. Hamilton era o quarto, após largar em 14º. Venceu, desbancou o rival na ponta da tabela e ainda abriu 17 pontos de vantagem. 

O piloto da Mercedes, que vinha se alternando na liderança com Vettel desde o início da temporada, não perdeu mais a primeira colocação. A partir dali, as trajetórias se inverteram. O alemão passou a perder rendimento, enquanto o inglês evoluía com facilidade. E os erros do piloto da Ferrari se repetiram na Itália, Azerbaijão, França, Japão e EUA – nas corridas e também nos treinos. Alguns dos erros, principalmente na Alemanha e no Azerbaijão, beneficiaram diretamente Hamilton, concedendo-lhe pelo menos 50 pontos. “Eu certamente não quero colocar Vettel no banco dos réus, mas estes incidentes não podem mais ser vistos como coincidência. Deveriam indicar que Sebastian está um pouco descontente no momento”, comentou Ross Brawn, atual diretor esportivo da F-1.

Curiosamente, foi a primeira temporada em que Vettel, desde 2015 na Ferrari, contou com um carro superior aos rivais. Mesmo exibindo evolução técnica e tecnológica em comparação com as temporadas passadas, o time italiano sofre para parar Lewis. E só uma considerável dose de sorte deve impedir o penta do inglês neste domingo.

 

 

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