Darron Cummings/AP
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Hamilton é o maior embaixador que a F-1 poderia sonhar, mas não é o maior de todos

Quase a mesma história de Michael Schumacher, que conquistou seus cinco títulos pela Ferrari praticamente sem contar com rivais

Jean-Michel Desnoues*, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2019 | 04h30

Lewis Hamilton é um dos maiores do automobilismo, mas não o maior. Com certeza ele pertence ao Top 10, assim como Fangio, Senna, Prost, Lauda, Stewart, Clark, Schumacher, Fittipaldi e Alonso. Lewis está perto de alcançar o seu sexto título, o que é impressionante, mas é justo dizer que com frequência ele teve o melhor carro e menos rivais que Senna, Prost, Lauda e outros. Nico Rosberg conseguiu superá-lo.

É quase a mesma história de Michael Schumacher, que conquistou seus cinco títulos pela Ferrari praticamente sem contar com rivais. Senna teve apenas três troféus, mas eles foram conquistados contra pilotos de alto nível, como Prost, Mansell ou Piquet, que pilotavam carros também de alto nível. Este é o tipo de comparação que está faltando um pouco na Fórmula 1 atualmente.  

Mas isso não o torna menos relevante para a categoria. Hamilton é muito importante para a Fórmula 1 porque é a única estrela do momento. Ele conversa com os fãs de todo o mundo, mas não apenas isso. Ele também é famoso fora do círculo deste esporte. É o melhor embaixador que a F-1 poderia sonhar. Além disso, ele se envolve em várias atividades.

Nós conhecemos o lado músico do Lewis, amigo do Drake e do Kanye West, amigo do Tommy Hilfiger e do velho Karl Lagerfeld, sempre pronto para embarcar em seu avião para uma fashion week em Paris, Londres ou Milão. Conhecemos o Lewis que se preocupa com o meio ambiente, envolvido na rede de restaurantes veganos Neat Burger, a primeira deste tipo. Hoje, descobrimos o Lewis ecologista e o seu ativismo, que não parece ser de fachada.

Apesar destas iniciativas, é difícil dizer que ele está mudando a Fórmula 1. Jackie Stewart lutou pela segurança, brigou para tornar a F-1 mais segura e mudou a face do esporte. Ayrton Senna mergulhou de cabeça em seu trabalho e estava ao lado dos seus engenheiros o tempo todo enquanto outros pilotos iam jogar golfe. Era uma postura nova para a época e isso acabou fazendo com que os outros pilotos também mudassem sua abordagem. Michael Schumacher trouxe a preparação física para outro nível. Hamilton não fez algo parecido.

*Jornalista francês da revista AUTOhebdo que cobre Fórmula 1 há 30 anos

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