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Hamilton levanta Interlagos, lembra Ayrton Senna e faz brasileiros sonharem na F-1 como no passado

Piloto inglês ganha a corrida em São Paulo depois de um fim de semana de recuperação e tremula a bandeira brasileira no pódio como há muito não se via

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2021 | 17h51

Brasileiro é fã de esporte e gosta de automobilismo. A Fórmula 1 traz boas lembranças nas pistas, conquistas memoráveis e uma história de superação, alegria e drama. Lewis Hamilton fez o torcedor em Interlagos reviver tudo isso mesmo não tendo um piloto do país no grid. A torcida para o inglês sete vezes campeão do mundo da categoria foi aumentando na mesma proporção em que ele ia ultrapassando seus rivais. Já havia dado mostra de sua destreza e da potência da sua Mercedes no Sprint Race do sábado, ao sair lá de trás e se meter entre os primeiros colocados, pulverizando o tempo dos seus oponentes, derrubado-os como se fossem palitos empilhados.

Lewis Hamilton repetiu a dose na corrida de Interlagos. Foi impossível não lembrar de Ayrton Senna. Lewis é um estrategista. Sabe exatamente onde e quando ultrapassar, mas acima de tudo é um piloto que corre com o coração, também lembrando Ayrton, morto em 1994 após acidente em Ímola.

Lewis ganhou a todos no GP de São Paulo de F-1. Mas faltava ainda um movimento depois que ele ultrapassou Max Verstappen e abriu tempo na frente para ganhar a bandeirada da ginasta Rebeca Andrade, medalhista nos Jogos Olímopicos de Tóquio e no Mundial. Era um movimento conhecido, simples, mas singelo, rápido, mas eterno. E não é que aconteceu.

Ao cruzar a linha de chegada, muitos, como eu, ficaram esperando Lewis achar entre os fiscais de prova uma bandeira brasileira, mais uma vez repetindo o gesto histórico de Senna. Teria de parar sua Mercedes, pegar a bandeira e dar um passeio com ela tremulando até os boxes. Os olhos se encheram de lágrimas quando ele fez exatamente isso. Lewis ganhou a corrida, ganhou a simpatia de todos em Interlagos e ainda emocionou um país inteiro que adora automobilismo e seus personagens.

Por alguns minutos, enrolado na bandeira do Brasil, que é de todos nós e ao mesmo tempo não é de ninguém, Lewis foi um 'brasileiro' de volta à F-1.

Fazia tempo que um piloto não empolgava tanto numa corrida no Brasil. No ano passado, o país ficou sem ter o GP em Interlagos por causa da pandemia. Fez falta, como se viu neste domingo, com o autódromo lotado e todos muito felizes. Havia, sim, para quem torcer.

No pódio, Lewis Hamilton festejou sua façanha, agradeceu a equipe e reverenciou um colaborador brasileiro da Mercedes que estava ao seu lado na premiação, representando a escuderia. Foi carregado por ele e por Bottas numa festa que nos remeteu aos velhos e bons tempos em que a F-1 era comandada nas pistas por pilotos brasileiros. Que saudade! 

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