Hamilton, pole na base do talento. Se chover corrida deve ser emocionante

Piloto afirmou não se lembrar de comemorar tanto um resultado como o deste sábado

LIVIO ORICCHIO - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2013 | 13h23

SPA - Lewis Hamilton, da Mercedes, disse não se lembrar quando celebrou tanto a conquista de um resultado quanto o da pole position, neste sábado, no circuito de Spa-Francorchamps, 31.ª na carreira, sétima da Mercedes em 11 disputadas este ano. Ao seu lado no grid do GP da Bélgica, domingo, larga o tricampeão do mundo, Sebastian Vettel, da Red Bull.

 

A diferença imposta por Hamilton ao alemão, 188 milésimos de segundo, para um traçado de 7.004 metros, veio da sua enorme competência como piloto, que mesmo com a Mercedes não tão veloz quanto a Red Bull conseguiu ser mais rápido. A vitória na prova anterior, na Hungria, ratifica que o campeão do mundo de 2008 está numa fase excepcional.

 

Ele tenta se aproximar de Vettel na liderança do Mundial. O alemão soma depois de dez provas 172 pontos. Hamilton está um pouco distante, em quarto, com 124, mas o avanço da Mercedes é inegável. O vice-líder é o finlandês Kimi Raikkonen, da Lotus, oitavo no grid, com 134, e o terceiro colocado, Fernando Alonso, da Ferrari, nono no grid, 133.

 

Os adversários de Vettel no GP da Bélgica, dentre eles Hamilton, disseram ontem, depois dos treinos livres, que para ganhar a corrida será preciso que as condições do tempo se assemelhem às de hoje, em que ora chovia ora o asfalto começava a secar, para na sequência molhar de novo.

 

"Esses caras (Vettel e seu companheiro, Mark Webber, terceiro no grid) estão muito rápidos. No seco, vamos tentar vencê-los, embora saiba que será bem difícil. Já no asfalto molhado, como é a previsão, podemos pensar, sim", disse Hamilton.

 

Vettel não demonstrou nenhuma preocupação com a perda da pole position. "Estou tranquilo. Nosso carro está veloz e equilibrado aqui." Na simulação de corrida, ontem à tarde, no seco, a Red Bull impôs um ritmo que ninguém acompanhou.

 

A última parte do treino, o Q3, começou sem chuva. E os dez pilotos classificados saíram com pneus para pista seca. Mas como começou a chover, regressaram aos boxes para substituí-los pelos intermediários. Felipe Massa não reabasteceu sua Ferrari e apenas trocou os pneus. Saiu mais rápido dos boxes. Queria aproveitar os instantes de menos água no asfalto.

 

Paul Di Resta, da Force India, escuderia historicamente muito veloz em Spa, nem saiu quando o Q3 começou. Ao ver que a pista ia encher de água logo, colocou pneus intermediários e deixou os boxes para, como Massa, tentar aproveitar a pista mais rápida.

 

Ambos percorreram os 7.004 metros do seletivo circuito belga quando, de fato, havia menos água no asfalto. E parecia que Di Resta largaria na pole e Massa em segundo. Os demais oito pilotos dispunham de uma pista mais lenta.

 

"Naquele momento chovia mesmo, não dava para imaginar que iria parar", explicou Massa. "Faltou sorte. Mas nosso carro está mais competitivo", disse. Não havia tempo para reabastecer, regressar à pista, cruzar a linha de chegada antes de o cronômetro zerar e desfrutar do circuito naquele momento, o melhor, sem chuva, como fizeram os três primeiros no grid.

 

Massa precisa de um grande desempenho hoje para manter viva a chance de a Ferrari renovar seu contrato. Mas já avisou: "Será bem difícil ultrapassar na corrida". A Ferrari não tem as melhores velocidades finais em Spa.

 

Outro candidato a poder vencer caso chova é Nico Rosberg, companheiro de Hamilton, que vai largar em quarto. Melhorou seu tempo quando chovia mais, num trabalho excepcional. Ao lado de Hamilton foi quem mais impressionou na sessão que definiu o grid do GP da Bélgica. Curiosamente o piso molhado não é o seu forte. Mas em Spa deu um show.

 

Por ter mais gasolina que Massa, Di Resta manteve-se na pista, decorrente do planejamento do Q3. Assim, melhorou seu tempo e largará em quinto. Em 2009, Giancarlo Fisichella, com Force India, disputou a vitória com Kimi Raikkonen, da Ferrari, em Spa, até a bandeirada. Cruzou apenas 939 milésimos atrás.

 

A Lotus acertou seu carro mais para a esperada chuva de hoje que a classificação, ontem. Gera mais pressão aerodinâmica. Raikkonen e Grosjean são muito rápidos no trecho intermediário do traçado, onde se exige mais downforce (pressão aerodinâmica), e mais lentos no final das retas.

 

Com isso Romain Grosjean é apenas o sétimo no grid e Kimi Raikkonen, o oitavo. Mas se chover mesmo amanhã, como tudo indica, a Lotus pode surpreender. O finlandês já ganhou quatro vezes em Spa-Francorchamps: 2004 e 2005 com McLaren e 2007 e 2009, Ferrari.

 

Por ter rodado na curva 14, naquela que poderia ser sua melhor volta, Fernando Alonso inicia a competição apenas em nono. "Cruzei a linha de chegada 8 segundos depois de zerado o cronômetro. Aquela volta extra poderia nos dar a pole position", comentou.

 

"De qualquer forma nosso carro está se comportando mais ou menos como antes de Mônaco, com maior eficiência. Acredito que tem a ver com os novos componentes que trouxemos para cá e as características da pista, melhores que as últimas para nós."

A corrida terá 44 voltas e a largada será às 9 horas, horário de Brasília.

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