Helinho antecipou vitória para o pai

Sentado no cockpit de seu Dallara/Olds, com apenas a viseira aberta, aguardando o fim da chuva e recomeço das 500 Milhas de Indianápolis, Hélio Castro Neves comentou com seu pai, Hélio: "O carro está ótimo. Eu vou ganhar a corrida de qualquer jeito" Depois de voltar para a pista e percorrer as 45 voltas que ainda restavam para completar 200, Helinho começava a comemoração dentro do carro. "Eu tinha conversado muito com o Rick Mears (piloto americano que venceu quatro vezes as 500 Milhas) e ele me disse que eu não devia correr atrás da prova. Devia deixar que ela viesse para mim. Foi o que eu fiz", disse. Hélio, o pai, pulou de alegria no pit-lane, onde assistia às últimas voltas. Na tribuna, a mãe Sandra e a irmã Katiucia choravam abraçadas. "Mulher nessa hora é assim mesmo", justifica Katiucia. Helinho passou quase duas horas, antes de entrar na sala de entrevistas, assinando autógrafos, falando para emissoras de televisão e jogando chapéus para o público que não parava de acompanhá-lo, gritando seu nome. "Olha o que os brasileiros fizeram aqui. E eles esperavam uma vitória do Michael Andretti ou do Tony Stewart", disse o vencedor.Segundo Helinho, a calma foi o fator essencial para ganhar a mais famosa corrida do mundo. "Tinha gente rodando e quebrando na minha frente. Tinha o Gil, o Robbie Buhl que vinham atrás, o Michael Andretti que me ameaçava. E eu ia levando. Procurava fazer sempre o melhor traçado e, dessa forma, tirar o ar de quem vinha atrás. Isso funcionou". No cockpit do monoposto da Penske, Helinho diz que na última volta só prestava a atenção nos cerca de 400 mil espectadores que gritavam. "Nem sei se era isso. Achei que eles gritavam meu nome. Aí comecei a pirar. Nem dá para explicar direito". No fim da tarde, Helinho já estava mais calmo. "Agora vou voltar a pensar no campeonato da Cart. Domingo que vem corro em Milwaukee". Helinho é vice-lider do campeonato. Tem 47 pontos e só perde para o sueco Kenny Brack, da Rahal, que soma 49 pontos. Helinho tem quatro vitórias na Cart. No ano passado ganhou as corridas de Detroit, Mid-Ohio e Laguna Seca. Terminou o campeonato em 7º lugar. Este ano ganhou a prova de Long Beach. Gil de Ferran, companheiro de Helinho, campeão da Cart em 2000, terminou em segundo lugar, garantindo a dobradinha da Penske e do Brasil. Segundo ele, seu carro começou a mudar de comportamento na parte final e ele desistiu de tentar a ultrapassagem. "Eu ainda tentei passar para o primeiro lugar na última largada mas não consegui. Aí comecei a acelerar, tentando me aproximar do Helinho mas vi que não dava mais. Mas está ótimo assim mesmo", disse conformado. Com o 10º lugar na corrida de hoje, Felipe Giaffone, da Hollywood/Treadway, passou do quinto para o terceiro lugar no campeonato da Indy Racing League. O líder é Sam Hornish,, com 136 pontos seguido por Eliseo Salazar com 105. Felipe tem 80 pontos. Airton Daré, 8º colocado nas 500 Milhas, também melhorou sua posição e agora é o 10º do campeonato com 49 pontos.

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