Helinho volta à realidade da Indy

Domingo passado, Hélio Castro Neves teve o grande momento de sua carreira, vencendo as 500 Milhas de Indianápolis. Após 200 voltas de muita velocidade no mais tradicional dos circuitos, escreveu seu nome na história dessa importante corrida. E a partir daí foi só festa. Helinho encheu o bolso de dinheiro, teve seu carismático sorriso transmitido para o mundo todo, andou de charrete no Central Park, em Nova York, e cansou de dar entrevistas. Mas agora é preciso retomar a seriedade.Na tarde deste domingo, Helinho tem a chance de assumir a liderança da temporada de Fórmula Indy, categoria que disputa regularmente - Indianápolis faz parte do calendário da IRL (Indy Racing League). O novo desafio é a Miller Lite 225, quinta etapa do campeonato, no circuito oval de 1,032 milha de Milwaukee. A DirecTV, no canal 363, e a Record transmitem ao vivo, às 17h (horário de Brasília).Se vencer em Milwaukee, Helinho poderá tirar a diferença de dois pontos que o separa do líder Kenny Brack (49 a 47) e assumir a ponta na tabela de classificação, além de manter Cristiano da Matta, Paul Tracy e Jimmy Vasser (todos com 40) à distância. Aos 26 anos, ele garante que já assimilou o sucesso repentino das 500 Milhas e está concentrado na Indy para vencer de novo. Além de, por que não, começar a construir o caminho para o título - com muitas trepadas nas grades dos autódromos, já que essa comemoração nas vitórias, diz ele, já virou tradição e será mantida.Uma das inúmeras entrevistas que Helinho deu em Milwaukee foi para a Agência Estado, sobre diversos assuntos, tais como...500 Milhas: "A comunidade da Cart vem cumprimentar e eu agradeço, acho isso bacana. É a conquista mais alta da minha carreira. Mas quando eu entro no carro, penso só no trabalho que a gente está fazendo para o campeonato. O momento é muito bom, é de vitória, e isso só eleva o astral da equipe. Está dando tudo certo."Fama instantânea: "Você vê que engraçado. No USA Today, saiu uma matéria dizendo que o ídolo de beisebol local está reclamando do assédio e que devia aprender melhor com outras pessoas, como o vencedor das 500 Milhas, Hélio Castro Neves, que aproveita antes que seja tarde.Eu estou lidando super bem. E não esperava isso aqui nos Estados Unidos, por ser brasileiro." Prêmio das 500 Milhas (US$ 1,2 milhão): "Vou para a Disneylândia, como eles dizem aqui (risos). Não, vou dar um apartamento para minha irmã, como tinha prometido, e dar uma quantia para minha mãe doar para uma instituição de caridade. O resto, vou investir, não sei como. Minha irmã que cuida do dinheiro."Andar no acanhado circuito de Milwaukee após Indianápolis: "Estranhei um pouco o tamanho, talvez por isso eu tenha andado rápido (no treino livre, em que fez o melhor tempo), porque não sei o que estou fazendo. Brincadeira. O bom é que eu conheço a pista. Se não conhecesse, talvez tivesse estranhado."Ser campeão: "Capaz, eu sempre fui. Mas agora é a primeira vez que estou de um ano para o outro na mesma equipe. Não preciso provar para os caras daqui que sou bom, eles já sabem. E isso ajuda muito."Ser o piloto número 1 do Brasil: "Nunca pensei nisso porque vai vir com os resultados, e o meu objetivo é conquistar resultados. Recorde, fama, dinheiro virão naturalmente. Mas é gostoso chegar no Brasil e falarem ?meu herói é o Castro Neves?, ?gosto do cara porque ele sobe na grade?, ?ele fala o que pensa?..." Na terça-feira, Helinho embarca para o Brasil. Mas antes, vai a Nova York curtir mais alguns instantes de fama no programa de auditório de David Letterman, sócio-proprietário da equipe Rahal, cujo principal piloto é o sueco Kenny Brack - aquele mesmo que disputa a liderança do campeonato com Helinho e seu Penske.

Agencia Estado,

02 de junho de 2001 | 16h12

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