Jaap Buitendijk/Divulgação
Jaap Buitendijk/Divulgação

Hunt e Lauda repetem Wayne e Stewart na sua epopeia sobre rodas

Crítico Luiz Carlos Merten analisa o filme 'Rush', que estreia nos cinemas no dia 13 de setembro

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Ron Howard tinha 22 anos, mas parecia menos quando fez como ator o western O Último Pistoleiro, de Don Siegel. O ano, 1976, era o mesmo que ele retrata agora em sua incursão pela Fórmula 1 no vigoroso Rush - No limite da emoção. Os atores de O Último Pistoleiro eram dois ícones – John Wayne e James Stewart. Trabalharam juntos num dos maiores faroestes do mestre John Ford, O Homem Que Matou o Facínora.

Howard já sonhava em virar diretor e se pode imaginar o que representou para ele a proximidade dos dois astros. Howard virou diretor. Teve seu Oscar (por Mentes Brilhantes). Fez Hollywood ganhar muito dinheiro, principalmente com os filmes adaptados de Dan Brown (O Código da Vinci e Anjos e Demônios). Esqueça tudo isso – os melhores filmes de Howard são estudos de personagens. E costumam ter o pé encravado na realidade, por mais fantasias que tenha feito.

O western Procuradas, e Frost/Nixon. Como o último, Rush trata de uma rivalidade e um confronto entre dois personagens que representam diferentes concepções. O ex-presidente e o jornalista que quer arrancar dele a confissão de seu envolvimento em Watergate. Os pilotos, o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda, que transformaram o campeonato de 1976 em um dos mais eletrizantes da Fórmula 1.

Hunt é um bom vivant e encara a Fórmula 1 como um show de rock’nd’roll. Sexo, drogas (bebidas, ao menos) e velocidade. Lauda representa a transformação empresarial do circuito. O mínimo de risco, as corridas planejadas, a disciplina. Lauda sofre aquele acidente. Hunt avança na pista, rumo ao título mundial. Impedi-lo passa a ser a motivação de Lauda. E tudo converge para o decisivo GP do Japão.

Como O Homem Que Matou o Facínora, Rush é sobre o adeus a um mundo e o alvorecer de outro. Sobre dois homens que divergem, mas vão aprender a se respeitar – naquela fração de segundo, a troca de olhares antes do GP final. É uma epopeia fordiana sobre rodas. O mantra de Howard era fazer com que o aficionado sentisse seu respeito pelo circo e que quem nunca se ligou na F-1 percebesse o quanto perdeu. Ele conseguiu. A F-1 e nós, o público, agradecemos.

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