Imprensa européia condena a Ferrari

Os jornais ingleses e até italianos desta segunda-feira foram duros nas críticas à direção da Ferrari, por causa da ordem dada a Rubens Barrichello para deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo para vencer o GP da Áustria, no domingo. Todas publicações atacam Jean Todt, o diretor-esportivo, no fundo quem decide na equipe, e Schumacher, ainda que Barrichello também não passe impune.O ?The Sun? traz em manchete "O dia que a Fórmula 1 morreu de vergonha", enquanto o ?The Daily Mirror? publica "O fim da Fórmula 1." Os editoriais são pesados igualmente. Simon Hughes, do ?The Telegraph? questiona, como se fosse uma charada: "Quando um esporte não é um esporte? Quando ele é a Fórmula 1", já Richard Williams, do ?The Guardian? definiu a ação de Schumacher no pódio, empurrando Barrichello para o primeiro degrau, como "gesto hipócrita e nauseante."Barrichello recebeu críticas também, como a de Kevin Eason, do ?The Times?, que o chama de "mercenário." O jornalista argumenta que o piloto agiu daquela forma depois de ter assinado um contrato de US$ 12 milhões por dois anos. Enfoque semelhante teve o ?Corriere dello Sport?, de Roma: "Rubens, pago para perder."Outras manchetes dos diários ingleses: "A Fórmula 1 é a perdedora", traz o ?The Daily Telegraph?, e "Vitória cínica de Schumacher causa vergonha na Fórmula 1" é o título do ?The Times?. Até o mais importante jornal esportivo da Itália, ?Gazzetta dello Sport?, com tiragem próxima de um milhão de exemplares por dia, e ligado ao grupo Fiat, dono da Ferrari, não isentou a equipe. "Ferrari arruína tudo" é sua manchete.Os textos descrevem que Schumacher poderia ter evitado essa situação se não tivesse ultrapassado Barrichello. "Ele tem força dentro do time para afrontar uma decisão dessas, capaz de deixar uma péssima imagem da escuderia por muito tempo." Logo depois da bandeirada ao alemão, a ?Gazzetta dello Sport? iniciou um levantamento entre os seus internautas, com a questão: "Rubens recebeu ordens para deixar Schumacher o ultrapassar. O que você acha?" Até o fim da tarde desta segunda-feira, 94% dos que responderam à chamada reprovaram a decisão da Ferrari, o que só atesta que até mesmo os tifosi abominaram o comportamento da equipe. Apenas 6% manifestaram-se a favor da decisão e dos argumentos de Jean Todt para justificá-la.

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