Índia é a próxima fronteira a ser rompida pela Fórmula 1

Vijay Mallya, novo dono da Spyker, aparece como embaixador do país para assuntos relacionados à categoria

Livio Oricchio, do Estadão,

07 de outubro de 2007 | 01h51

Brinco de diamante, imenso, anéis vistosos, de alta preciosidade, camisa com os botões abertos no peito e cabelos um tanto longos. É difícil vê-lo sem óculos escuros. Pinta de um cinqüentão bon vivant. Esse é o estereótipo de um personagem que pode vir a fazer história na Fórmula 1, Vijay Mallya. Ou eventualmente sucumbir como tantos que chegam com planos mirabolantes.  Mallya, no entanto, tem atrás de si o apoio da segunda nação mais populosa do planeta, a Índia, com seu 1,1 bilhão de habitantes. No circuito de Xangai, nos últimos dias, desfilou como o novo proprietário da Spyker. Começa falando como embaixador da Índia, para onde Bernie Ecclestone levará o campeonato em 2010. "Freqüento o mundo da Fórmula 1 há 11 anos. Nesse período, a Índia mudou muito. Somos, hoje, um mercado de 300 milhões de consumidores", diz Mallya, orgulhoso.  O empresário possui o grupo Kingfisher, dono de uma companhia aérea, de marca de cerveja, empresa de construção civil e uma financeira, dentre outros. Fala com entusiasmo do país que junto com a China são os que mais crescem, com números impressionantes. "Nossa gente é predominantemente jovem, aberta aos novos valores do mundo, portanto perfeita para lhes apresentarmos um projeto de Fórmula 1", comenta, para explicar a razão de transformar-se em proprietário de equipe.  "Eu tenho 50% e Michiel Mol [holandês dono da fábrica de carros Spyker] os outros 50%." Nacionalista, insere sempre a Índia na conversa. "Nossa equipe já ganhou 200 milhões de fãs a mais que estarão diante da TV. Será, também, uma grande vitrine para todas as marcas da Fórmula 1. Bernie Ecclestone é um entusiasta do nosso projeto." Não podia ser diferente.  A exposição que seu evento vai ao encontro do que sempre defendeu e razão principal do crescimento exponencial da Fórmula 1. "Quero Índia no nome da equipe. Não me importo de não ter o nome do nosso grupo." A Spyker vai, assim, mudar. "Estamos fazendo um investimento para aumentar o orçamento, mas cobraremos mais performace." Apesar de todo o apelo nacionalista da sua iniciativa, não há participação do governo hindu. "Eles têm mesmo é que se preocupar com o social, não uma escuderia de Fórmula 1."  Como dono de um time, agora, será interesse observar como será sua relação com os principais personagens da competição. Até hoje é das mais cordiais e até de amizade, como destaca. Mallya tem um iate famoso, onde não poderia faltar o nome da nação que diz amar, Indian Empress. Durante o GP da Turquia, o manteve ancorado no porto de Istambul e promoveu uma grande festa. Obviamente Ecclestone, Flavio Briatore, dentre outros, estavam lá.  "Tínhamos opção de adquirir três equipes. Preferi a Spyker porque constrói seu próprio carro. As outras duas apenas utilizam modelos fabricados por suas matrizes." As duas são a Super Aguri (Honda) e a parte de Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, na Toro Rosso (Red Bull). "Meu sonho é termos um piloto da Índia. Já atingimos um bom nível no campeonato nacional de kart, formamos pilotos como Narain Karthikeyan e vem aí Karun Chandhock (vencedor da etapa da Turquia da GP2), mas não definimos nossos pilotos para 2008 ainda." O arquiteto alemão Hermann Tilke, autor do projeto dos últimos autódromos do calendário, já visitou alguns locais na Índia para construir o circuito. Será numa área próxima de Nova Delhi. Aí, sim, com investimento estatal. O Mundial receberá o GP da Índia, tão desejado por Ecclestone e todos os dirigentes das equipes, na temporada de 2010. Para o deleite de Mallya.

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