Indy: Wilson quer sair do fim da fila

Enquanto Kenny Brack e Hélio Castro Neves disputam a liderança do campeonato de Fórmula Indy, Max Wilson terá uma missão bem mais humilde, mas talvez até mais desafiadora neste domingo, no GP de Portland, sétima etapa da temporada (a Record e a DirecTV transmitem ao vivo, às 17 horas de Brasília).Brack, a revelação sueca da Rahal, tem 74 pontos. O brasileiro Helinho, novo astro da Indy e principal esperança da Penske para mais um título, tem 69. Max, estreante da também estreante Blair (ex-Brooke), tem... Aliás, não tem. O piloto brasileiro de 28 anos, nascido em Hamburgo (Alemanha) e criado em Interlagos (São Paulo), é o único que ainda não marcou nenhum ponto.Fosse só pela "lanterna??, Max teria motivos para estar desencantado com a escolha de vir correr nos Estados Unidos. Mas muita coisa está mudando. Para melhor. O nome, o motor e a chefia são novos. O único piloto da equipe continua, mas com uma nova perspectiva: "Trabalhando direitinho, temos condições de andar entre os dez primeiros.??Piloto costuma ser muito otimista, acha que as coisas sempre vão dar certo. Entretanto, Max não parece muito distante de suas pretensões. O sonho de ser ??top 10??, ele revelou na última quinta-feira. Um dia depois, fez o 12.º melhor tempo nos treinos livres, após ter sido o quarto mais rápido na primeira sessão. Não que isso valha algo para a prova, mas mostra que seu carro não é mais a tartaruga do início do ano.Ainda com o nome de Brooke, a equipe começou a temporada usando o motor Phoenix (novo nome do Mercedes, que deixou a Indy no ano passado). Max tem um ótimo exemplo para mostrar como ficava atrás dos outros. Nos testes no circuito oval do Texas, cuja prova foi cancelada, seu carro chegava, no máximo, a 225 mph (362 km/h), enquanto os que faziam os melhores tempos tinham média de 236 mph (379,7 km/h).Ficar atrás é uma coisa - e inevitável para quem está começando. Mas esse déficit era demais. Eis que Larry Blair, o dono do dinheiro, resolveu agir. Para começar, dispensou Barry Brooke, que dava nome à escuderia, e assumiu a responsabilidade. Para poder acompanhar tudo de perto, largou o cargo de vice-presidente de marketing da Redback Networks, empresa de comunicação digital cujo nome continua em destaque no carro.Tirou Bob Sprow da Patrick para coordenar a equipe. E se desfez do Phoenix para colocar em seu lugar o Ford do ano passado. Não é tão bom quanto o de 2001. Mas ainda assim, diz Max, é bem melhor. Ele notou a diferença logo na primeira prova com o motor em novo, em Milwaukee: "Consegui andar junto com o pessoal.??Está sendo uma corrida contra o tempo. A participação no campeonato foi definida de última hora e não foi possível aproveitar os testes de pré-temporada. A equipe não tem dados de anos anteriores sobre as pistas, nas quais Max também nunca esteve. "Estamos sempre um passo atrás??, diz.Mas lamentar não adianta, até porque as coisas estão entrando nos eixos. Os mecânicos que, segundo Max, demoravam oito horas para trocar um motor, agora precisam de três.Max quer aproveitar as três próximas corridas (Portland, Cleveland e Toronto), todas em circuitos mistos, para mostrar a Blair que apostar nele não foi perda de tempo: "Não quero falar muito para não soar arrogante, mas tenho certeza que quando a gente acertar as coisas, vou andar entre os primeiros. Não quero ficar andando em 20º.??"Traição?? - Max quase ficou a pé este ano por causa de uma "pilantragem?? de Tom Wieringa, dono da Sigma, que o trocou por Oriol Servia (e o punhado de dólares que este trouxe) às vésperas do início da temporada: "Você nunca vai me ver numa equipe dele.??Sem patrocínio, foi socorrido pela atual equipe, que procurava desesperadamente alguém competente, barato e disposto a pilotar um carro que era um incógnita. Blair ficou encantado com opiloto que disse que correria com qualquer motor. E até sem salário: "Isso mostra caráter, e ele trabalha em dobro todo dia.??

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.