Ingleses da Fórmula 1 sabem perder

O barulho elevado dos motores, a agitação dos integrantes das equipes, o ritmo frenético dos deslocamentos dos carros de serviços na pista, em especial nos momentos que antecedem o início de um treino, fazem parte da rotina da Fórmula 1. Nesta sexta-feira pela manhã, porém, o silêncio do paddock, área localizada atrás dos boxes do circuito de Nurburgring, na Alemanha, se opunha a tudo o que se conhece da competição. E o motivo não era outro senão a disputa da partida entre Brasil e Inglaterra pela Copa do Mundo. Das 11 equipes que disputam o Mundial, 6 são inglesas e nas demais escuderias o número de cidadãos ingleses contratados é também elevado.Em resumo: a Fórmula 1 é um grande reduto de ingleses, a maioria apreciadores, se não fanáticos, por futebol. Depois do jogo, contudo, o volume do silêncio no paddock cresceu ainda mais e houve até quem deixasse algumas lágrimas cair, como Jonathan Williams, filho de Frank Williams. "Não, agora não por favor", solicita ao repórter que lhe pede uma análise da derrota inglesa."Não dá para falar", disse com os olhos marejados e a voz de choro. Uma coisa ninguém pode negar, porém: os ingleses sabem perder. Dentre tantos que se manifestaram no autódromo, não houve um único que questionasse a vitória brasileira. "Venceu o melhor, simples", disse Patrick Head, diretor-técnico e sócio da Williams. "Agora tenho de torcer pelo Brasil por causa de minha mulher brasileira e meus dois filhos, que são também meio ingleses meio brasileiros." Ross Brawn, diretor-técnico da Ferrari e fã do Manchester, onde nasceu, tinha já pronto um elenco de gozações para Rubens Barrichello, com quem assistiu à partida. "Grande desempenho do Brasil, bloqueando nosso meio de campo. Ganhou quem merecia e não há nada para contestar." Charlie Whiting é o delegado de segurança da Fórmula 1 e diretor de prova. "Brasil foi melhor e venceu com todos os méritos. Não temos do que reclamar." Para Michael Schumacher, que acompanhou com enorme atenção as duas partidas desta sexta-feira, o Brasil também jogou melhor que a Inglaterra. "Os brasileiros erraram uma vez e tomaram um gol. Depois, com seus excelentes jogadores virou o jogo e venceu com merecimento." Schumacher abordou o jogo Alemanha e Estados Unidos, em que era informado do placar por meio do painel da Ferrari, já que a partida começou quando ele estava na pista, no meio da sessão da tarde. "Não temos jogadores fantásticos, mas um belo grupo que foi até além de onde imaginávamos nessa Copa. Agora, diante do que vimos, pode dar qualquer equipe na final." Ele tem um vontade maior: "Seria maravilhoso ver Brasil e Alemanha decidindo a Copa."

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