Arquivo Pessoal/Igor Fraga
Arquivo Pessoal/Igor Fraga

Intensivo em simuladores e até videogame 'salvam' pilotos durante a quarentena

Dispositivos eletrônicos ajudam a manter o reflexo e a praticar a direção enquanto a pandemia mantém as corridas suspensas

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2020 | 18h00

As corridas de carro deixaram de ser realizadas nos autódromos e passaram a ser exclusivamente na sala de casa durante a pandemia do novo coronavírus. Os pilotos das mais importantes categorias têm utilizado as plataformas virtuais em computadores e até jogos de videogame para manter o contato com habilidades importantes da automobilismo enquanto todos os campeonatos estão suspensos.

Os treinos em simuladores já fazem parte do cotidiano dos pilotos de Fórmula 1 e de outras categorias há anos, mas atualmente se tornaram a única oportunidade de praticar a direção de um carro. No momento só é possível conhecer as pistas, testar reflexos, pisar fundo no acelerador e fazer as ultrapassagens enquanto se está acomodado diante de um tecnologia de ponta capaz de reproduzir virtualmente boa parte das sensações de uma pista de verdade.

Boa parte dos corredores utiliza plataformas de simuladores que chegam a custar mais de R$ 100 mil e são utilizados no computador de casa. Alguns chegam até se reunir pela internet e organizar campeonatos nesta quarentena. Competir está no sangue desses caras. Felipe Massa e Rubens Barrichello, por exemplo, têm participado de uma competição beneficente nos últimos dias com a presença de 28 participantes.

No caso do brasileiro Igor Fraga, da Fórmula 3, a rotina em simuladores não é nova. O piloto de 21 anos foi campeão mundial de Gran Turismo, único campeonato virtual homologado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), e agora chega a treinar cinco horas por dia nas máquinas. A plataforma preferida dele é o PlayStation 4, com o acréscimo de um volante para reproduzir os movimentos do carro.

"As competições online do jogo têm um nível muito alto, isso acaba forçando a superar limites. O simulador te faz desenvolver bem a habilidade para acelerar e as técnicas de frenagem", explicou ao Estado. No fim do ano passado, Fraga guiou em um evento de simuladores de Gran Turismo 4 com o companheiro do hexacampeão mundial de Fórmula 1 Lewis Hamilton. "O Hamilton chegou a ter dificuldade em algumas voltas iniciais. Depois ele já melhorou e teve uma capacidade de adaptação impressionante", contou.

O piloto da Stock Car Sérgio Jimenez é outro apreciador de simuladores. "Ele até ajuda a manter a concentração, porque como não tem o barulho do motor, você precisa ficar mais ligado", explicou. Jimenez afirma que por utilizar o equipamento em casa, é necessário também ficar atento para outras distrações não atrapalharem, como conversas ou até o telefone. Enquanto as provas não retornam, ele mantém o trabalho como empresário e dono de postos de gasolina.

O atual tricampeão da Stock Car, Daniel Serra, não acelera em uma pista há quase dois meses e tem sentido falta da velocidade e adrenalina. Os treinos físicos têm sido importantes na quarentena, assim como não ficar tão focado exclusivamente nas corridas virtuais. "Existe um jeito certo de se guiar no simulador, mas nem sempre é o mesmo jeito de se guiar na realidade. Eu gosto de usar para aprender a andar em algumas pistas, mas o simulador não tem às vezes os detalhes mais específicos do circuito", compara.

SEM ALTERNATIVA

Já para quem anda de moto, não há alternativas. O piloto Eric Granado, da Moto-E, não tem com substituir a falta de corridas. "Na moto não tem simulador. E os que existem, lá na Europa, são distantes da realidade. A moto transmite uma sensação na pista que é difícil colocar em uma máquina", explicou.

Durante a quarentena, ele tem procurado se recuperar de uma lesão no ombro direito sofrida recentemente e tenta minimizar possíveis impactos da falta de calendário. "Por mais que treine, nunca vou conseguir trabalhar os músculos e preparação do jeito que a moto exige, principalmente nos ombros, antebraço e no cardiorrespiratório", comentou.

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