Interlagos encerra uma das mais disputadas temporadas da F-1

Grande Prêmio do Brasil, neste domingo, será o grande palco da briga entre Hamilton, Alonso e Raikkonen

Livio Oricchio, Estadão

21 de outubro de 2007 | 11h10

Como em 1983 e 1986, dentre outros exemplos, a temporada que termina neste domingo em Interlagos tem três pilotos com chances de conquistar o título. O GP do Brasil é o 17.º do campeonato. Em 16 etapas disputadas, Lewis Hamilton, McLaren, somou 107 pontos, Fernando Alonso, seu companheiro, 103, e Kimi Raikkonen, Ferrari, 100. Hamilton venceu 4 vezes, Alonso 4 e Raikkonen, 5. O número de vitórias é o primeiro critério de desempate.  Veja também:  Vídeo de Hamilton aos 12 anos de idade Dê uma volta pelo Circuito de Interlagos Classificação do Mundial   Você perdoaria Felipe Massa se ele abrisse mão da vitória no GP do Brasil para que Kimi Raikkonen fosse campeão?  Quem vence o GP Brasil de Fórmula 1?  Quem será o campeão da temporada 2007? Hamilton será campeão se vencer ou chegar em 2º, independente dos demais. Se for 3º, 4º ou 5º, Alonso não pode vencer. Hamilton pode ainda terminar em 6º ou 7º, desde que Raikkonen não seja 1º e Alonso no máximo o 3º. Hamilton é campeão em 8º se Alonso for no máximo 4º e Kimi não vencer ou classificar-se em 2º. Se o inglês não pontuar, fica com o título se Alonso for no máximo 5º e Kimi, 3º.  Alonso será campeão se vencer e Hamilton receber a bandeirada no máximo em 3º. Alonso pode ser 2º, desde que Hamilton seja no máximo 6º.  Se for 3º, Hamilton deve ser no máximo 8º e Raikkonen não vencer. Um 4º lugar dá o Mundial a Alonso se Hamilton não ficar entre os 8 primeiros e Raikkonen for no máximo o 3º.  Raikkone será campeão se vencer ou classificar-se em segundo, necessariamente. E ainda depende do que fizerem Hamilton e Alonso. Se ganhar o GP do Brasil, Hamilton tem de ser no máximo 6º e Alonso não ser o 2º. Há ainda a possibilidade de o finlandês conquistar o título como 2º lugar, desde que Hamilton se classifique no máximo em 8º e Alonso, em 4º.  Matemática a favor de Hamilton A matemática joga a favor de Lewis Hamilton na definição do título. Afinal, ao longo das 16 etapas disputadas venceu quatro vezes e chegou em impressionantes 12 ocasiões ao pódio. E o jovem inglês é um estreante. Somou 107 pontos. Mas seu companheiro na McLaren, Fernando Alonso, bicampeão e experiente em disputar finais de campeonato, vem com a faca entre os dentes, 103 pontos, depois do abandono de Hamilton no GP do Japão, no seu primeiro erro capital no campeonato até agora.  Kimi Raikkonen, da Ferrari, é o goleiro na hora do pênalti. Se defendê-lo, ou vencer a prova, e Hamilton e Alonso colaborarem e não forem bem, celebra a conquista pouca esperada. Mas se não for o campeão, ou seja, Hamilton e Alonso fizerem o gol, não surpreenderá ninguém. Com 100 pontos na classificação, está mesmo difícil. Ainda na corrida de Melbourne, a primeira do ano, Hamilton mostrou suas cartas à Fórmula 1. A McLaren não tinha muito o que fazer contra a Ferrari. Raikkonen ganhou fácil. A vantagem dos italianos era tal que restou a Alonso e ao piloto inglês a luta pelo segundo lugar, já que Massa teve problemas na classificação. Foi naquele momento, em especial, que Alonso descobriu no companheiro um adversário que faria muita gente rever seu conceito a respeito do espanhol.  Hamilton terminou em terceiro, atrás de Raikkonen e não sem dar um sufoco em Alonso, na sua estréia na Fórmula 1. O jovem de 22 anos apenas não terminaria entre os três primeiros na seqüência na etapa de Nurburbring, a décima, igualando-se a séries seguidas de pódios com ninguém menos de Ayrton Senna, seu ídolo. "Compreendi melhor a extensão do que conquistei quando me disseram que meus números se comparavam aos de Senna."  Depois disso Hamilton ainda venceria na Hungria e no Japão. Por mais que o critiquem, que digam que desembarcou na Fórmula 1 no melhor carro, piloto criado em laboratório por Ron Dennis, da McLaren, ou ainda recebe penas brandas da FIA, esta procedente, bem poucos fariam o que realizou este ano, tendo como adversário direto o excepcional Alonso. A maioria na Fórmula 1 vê como muito justo se Hamilton for, hoje, campeão. Precisará, contudo, controlar os nervos depois do erro em Fuji. Ninguém sabe como ele reage depois de equívocos como os cometidos com sua equipe no Japão.  Há um consenso entre técnicos, dirigentes e até na imprensa que cobre a Fórmula 1: Alonso é o piloto mais completo em atividade. Veloz, regular, ótimo acertador de carro, determinado. Este ano revelou um lado desconhecido: parece não saber perder. Procura justificar as derrotas para Hamilton através de suposto tratamento diferenciado da McLaren com o companheiro. Não há quem acredite nisso.  Apesar de estar 4 pontos atrás na classificação, pela sua competência extrema e experiência, tem chances semelhantes às de Hamilton, hoje, de ser campeão, o que seria o terceiro seguido desse extraordinário piloto, mas agora um tanto chorão. Ron Dennis pode processá-lo nos próximos dias por denegrir a imagem da McLaren, rompendo totalmente com o asturiano.  Raikkonen teve um começo de campeonato difícil na Ferrari. Equipe, carro, pneus, metodologia de trabalho tudo novo. Só pegou mesmo a mão do F2007 e dos pneus Bridgestone na segunda metade do Mundial. E cresceu bastante. Do GP da Hungria para cá, seis etapas, esteve sempre no pódio. É, hoje, o azarão, para ficar com o título, mas nem de longe para vencer o GP do Brasil. Hamilton e Alonso que tratem de fazer seu papel, caso contrário o resultado final do campeonato será surpreendente.

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