Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Interlagos se despede de Schumacher pela segunda vez

Assim como havia feito em 2006, heptacampeão mundial dá adeus à categoria no Grande Prêmio do Brasil

Livio Oricchio, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2012 | 10h05

SÃO PAULO - É pequeno o número de fãs da Fórmula 1 que vai ao circuito de Interlagos hoje apenas para assistir à última corrida de Michael Schumacher, da Mercedes. O cenário é diferente do GP do Brasil de 2006, quando Schumacher, então na Ferrari, também anunciou a aposentadoria e levou muita gente ao autódromo somente para ver de perto o fim da carreira de um mito.

Schumacher teve identidades bem distintas em suas duas etapas na Fórmula 1: de 1991 a 2006, ele foi um piloto veloz, constante, lúcido, trabalhador, determinado e inabalável, o competidor das maiores conquistas de todos os tempos, sete vezes campeão do mundo; de 2010 até hoje, Schumacher foi bem diferente: não muito rápido, inconstante, confuso, a ponto de envolver-se em vários acidentes, e, essencialmente, sem resultados.

Hoje, por exemplo, larga na corrida de despedida em 13.º, enquanto o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg, em 9.º. Depois de 19 etapas, Schumacher soma 43 pontos e Rosberg, 93.

Na primeira fase nunca perdeu a disputa para o parceiro. “Não atingi os objetivos planejados no meu regresso à Fórmula 1”, admitiu o alemão, em Suzuka, ao anunciar o segundo abandono. Em entrevista ao Estado, na China, o heptacampeão do mundo comentou: “Aprendi na época da Benetton (de 1991 a 1995) que o título é o resultado de um período de trabalho.”

Ele falou mais: “Acreditava que os dois primeiros anos na Mercedes seriam para criar a estrutura necessária para vencer e este ano, o último, seria para disputar o título.” Ele deve terminar o Mundial na 15.ª colocação.

Apesar dos pesares, Schumacher diz que não se sente frustrado. “A Mercedes é hoje um time muito melhor do que era e está no caminho certo para se tornar vencedor. Cumprimos, portanto, parte do nosso objetivo.”

Na verdade, o alemão não desejava, aos 43 anos, deixar a Fórmula 1. Depois de ouvir de Norbert Haug, diretor da Mercedes, que seu contrato não seria renovado, ele se ofereceu a Ferrari e Sauber, mas as portas dessas equipes também se fecharam.

O desgaste da segunda fase não apaga o brilhantismo da primeira. Em 250 GPs, de 1991 a 2006, Schumacher estabeleceu uma nova referência de desempenho na Fórmula 1. Ele lidera praticamente todos os parâmetros: número de títulos (7), de vitórias (91), de poles (68) e de pódios (154), por exemplo.

Na segunda fase, largou até o GP dos Estados Unidos, há uma semana, em 57 provas. Não venceu, não fez poles e em uma única corrida foi ao pódio, terceiro no GP da Europa deste ano.

Em nenhum instante Schumacher associa sua idade à flagrante queda de desempenho. De acordo com o alemão, as razões para a falta de sucesso são exteriores a ele. A responsabilidade recai no carro, nos pneus, na equipe e nos adversários, o que mostra que seu nível de consciência a respeito do que o cerca ficou também no passado.

Há um ponto em comum, porém, entre uma e outra fase: sua filosofia. O alemão acredita que os fins justificam os meios. Os colegas o consideram um adversário duro de ser ultrapassado e, em muitas ocasiões, perigoso.

Ele recebeu muitas punições quando reescreveu a história da Fórmula 1 e também nos últimos três anos, mesmo demonstrando estar muito distante da fenomenal geração que o substituiu, formada por Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, entre outros.

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