Interlagos sem dinheiro para melhorias

As equipes de Fórmula 1 podem reclamar o quanto quiserem. O autódromo de Interlagos dependerá da boa vontade dos vereadores de São Paulo, da ajuda da iniciativa privada e de uma boa dose de sorte para estar em melhores condições para o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 do próximo ano. O administrador do local, Júlio Portela Lima, argumenta que as instalações estão de acordo com o que foi estipulado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). E avisa: hoje, não há dinheiro para obras.Até janeiro de 2002, Júlio Lima contará com uma verba estimada em apenas R$ 3 milhões para a manutenção das instalações. Esse dinheiro só existe porque a Prefeitura diz ter economizado R$ 6,5 milhões na reforma realizada este ano e orçada inicialmente em R$ 26,5 milhões. Os outros R$ 3,5 milhões que foram economizados com o cancelamento de algumas licitações realizadas na gestão passada, do então prefeito Celso Pitta, vão para o caixa da Prefeitura.Júlio Lima disse que boa parte da pista foi recapeada (ele não sabe precisar quanto) e que pontos críticos como o S do Senna foram melhorados. "A FIA aprovou tudo. E o que falta não estava nas licitações realizadas na gestão anterior". Para 2002, a Secretaria Municipal de Esportes espera que a Câmara Municipal aprove uma verba maior que os R$ 26,5 milhões destinados ao autódromo este ano. O orçamento total da Seme é de R$ 82 milhões. "Se isso não acontecer, teremos de tentar parcerias com a iniciativa privada."Entre as equipes, as queixas quanto às instalações continuam. "O pessoal está reclamando de vários problemas, como estacionamento, banheiro, goteiras, buracos e, principalmente, das ondulações na pista", revelou o brasileiro Ricardo Zonta, piloto de testes da Jordan.Uma das principais deficiências de Interlagos apontadas pelas equipes é a falta de instalações para seus escritórios no paddock, a área localizada atrás dos boxes. Na maioria dos autódromos que fazem parte do calendário da Fórmula 1 existem áreas fixas para esta finalidade. Em São Paulo, a parte administrativa dos times se mistura à oficina e à cozinha. Tudo no mesmo box, sem ar-condicionado e, muitas vezes, com goteiras sobre a cabeça dos mecânicos.História - Quando Interlagos foi construído, em 1938, o conceito de paddock, área atrás dos boxes para todo tipo de serviço, não existia. Os donos dos carros os traziam para o autódromo, acomodavam uma caixa de ferramentas no box e pronto. Hoje, projeta-se um autódromo a partir da sua área de paddock. Ano passado, uma grande laje foi construída atrás dos boxes para ampliar o paddock de Interlagos, quase inexistente. Ocorre que a nova área apenas facilitou os deslocamentos. Ainda hoje, as equipes são obrigadas a usar divisões plásticas dentro dos boxes para criar as mais diferentes salas, que servem desde local de refeições até reuniões entre pilotos e engenheiros. Tudo é muito apertado em Interlagos. Essa é a maior queixa de todos. Se fossem construídos os chamados escritórios das equipes sobre a área nova de paddock, como todo autódromo fora da Europa possui, boa parte das reclamações deixaria de existir. Nas etapas européias, as equipes não necessitam desses escritórios porque elas possuem dois ou três motorhomes com elevado grau de sofisticação. Há tudo o que elas necessitam neles, com praticidade e conforto. Interlagos desagrada a maioria também por suas instalações estarem já desgastadas pelo tempo, o que as torna além de pouco eficientes, muito feias.

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