Irritado, Ralf critica Rubinho

Ralf Schumacher era só decepção e raiva ao encerrar sua participação no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Se Rubens Barrichello preferiu não criticá-lo diretamente ao falar do acidente no qual se envolveram e que teve como conseqüência a saída de ambos, o alemão deixou toda a diplomacia de lado ao falar do brasileiro. "Ele precisa parar de pensar que pode ser mais rápido do que Michael (Schumacher)." Ralf só pode voltar aos boxes depois do fim da prova, pois o local onde estava não permitia escape do piloto sem que ele atravessasse a pista, o que só pode ser feito com a autorização do diretor de prova. O tempo não diminuiu a indignação de Ralf, que incialmente nem quis comentar sobre o que se passou. "O que aconteceu? Pergunte ao Rubens", disparou. Entrou nos boxes e só mais de meia hora depois apareceu mais calmo e falou longamente com o diretor esportivo da BMW, o ex-piloto Gerard Berger. O autríaco defendeu Ralf Schumacher e comparou a manobra de Rubinho com a do holandês Jos Vestapen, que foi até multado por ter sido o responsável pelo acidente que tirou Juan Pablo Montoya da pista. "O que aconteceu com um aconteceu com o outro, as situação foram iguais." O diretor-técnico da Williams, Patrick Head, preferiu comentar o caso de maneira genérica. "Todos sabem que em qualquer situação desse tipo na pista a responsabilidade é sempre do piloto que está atrás." Discussões dos pilotos à parte, dirigentes da Ferrari e da McLaren já compreenderam: a partir de agora a luta pela vitória terá uma terceira equipe, para o bem da Fórmula 1: a Williams. O GP do Brasil, hoje, comprovou o que as duas primeiras etapas do Mundial já haviam começado a mostrar: Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher vão dividir os pódios com Michael Schumacher, Rubens Barrichello, Mika Hakkinen e David Coulthard. O diretor técnico da BMW, Mario Thissen era um dos mais animados. "Para mim, a única coisa que precisamos melhorar para a próxima corrida é aumentar o número de voltas na pista." "É encorajante pensar nas próximas corridas depois do que vimos aqui", afirmou Frank Williams, em Interlagos. Seu time não lidera uma etapa do Mundial, com possibilidades reais de vencer, desde o GP da Europa de 1997, em Jerez de la Frontera, na Espanha, quando Jacques Villeneuve, seu piloto, conquistou o título do campeonato. Até ser colocado para fora por Jos Verstappen, da Arrows, retardatário, na 38.ª volta, Montoya liderou a corrida, com ninguém menos de Michael Schumacher e David Coulthard na segunda e terceira colocações. O mais impressionante é que Montoya não parou nos boxes até então para o seu pit stop, o que quer dizer que ele largou com seu tanque cheio, pois já havia passado da metade da prova. Como em Interlagos são consumidos 2,7 litros por volta, em média, Montoya já havia gasto cerca de 103 litros, aproximadamente. E ele tinha mais gasolina ainda no tanque. Isso significa que na hora da largada seu carro carregava pelo menos 100 quilos de combustível e, mesmo assim, conseguia manter-se à frente da Ferrari de Michael Schumacher que, como faria dois pit stops, tinha cerca de apenas 70 quilos no tanque. "Agora temos de também considerar a Williams", afirmou Schumacher, referindo-se à disputar as vitórias.

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