Divulgação/Honda
Divulgação/Honda

Jean Azevedo busca o octa no Rally dos Sertões e não quer ser 'atropelado pela molecada'

Aos 45 anos, principal piloto de rali do Brasil garante não cogitar aposentadoria e espera se tornar o maior campeão da competição 

Entrevista com

Jean Azevedo, piloto de rali

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 04h30

Com mais 30 anos de carreira, Jean Azevedo é um dos nomes mais conhecidos e respeitados no Brasil quando o assunto é rali e a partir deste sábado tem mais um árduo desafio em sua carreira. Aos 45 anos de idade, o piloto de São José dos Campos vai participar do Rally dos Sertões e espera entrar para história como o maior vencedor da competição.

Das 27 edições realizadas do Rally dos Sertões, Jean esteve presente em 25 e ganhou sete vezes. Se faturar também este ano, se tornará o maior vencedor da história da prova. Ele vai competir pela categoria Super Production (saiba mais sobre os tipos de modalidade) das motos, pela equipe Honda CRF 450RX. Em entrevista ao Estado, o piloto falou sobre os desafios da prova, aposentadoria e a situação do Brasil perante o restante do mundo no rali. 

O que espera desta temporada do Rally dos Sertões?

Será uma prova com algumas novidades e vamos ter que nos adaptar as condições. Acredito que seja uma prova bastante exigente para os pilotos e para as máquinas e com certeza a preparação terá um roteiro diversificado e que vai exigir muito das equipes. 

Já são 30 anos de carreira e dezenas de títulos. Qual a motivação para seguir competindo?

Eu ainda tenho motivação de vencedor e enquanto eu tiver essa vontade de vencer e pique para treinar, eu continuo. Uma hora a gente vai ser atropelado pela molecada, mas enquanto isso não acontece, eu vou correr. Corrida é a minha paixão, mas eu tenho selecionado as corridas que vou participar. Só tenho feito provas dentro do Brasil, para conseguir ficar mais com a minha família. Passei a fase inicial dos meus filhos longe, então eu continuo minha carreira, mas diminui meu calendário. 

Mas existe um projeto, por exemplo, de se aposentar daqui uns três ou quatro anos?

Não. Eu estou deixando o tempo levar. Enquanto eu estiver motivado e bem para treinar, eu continuo. Pode ser daqui um ano, dois ou três, sei lá. Quando eu acordar e ver que não tenho mais motivação, eu paro. 

você já ganhou muitos títulos na moto, mas também no carro. O que fez você priorizar moto?

A moto é muito mais desafiadora e você faz várias funções. Você navega e pilota, enquanto no carro tem o navegador para te ajudar. É preciso ser mais completo na moto e exige mais fisicamente. Pelo desafio e dificuldade de levar ao extremo e estar sempre se superando, eu prefiro a moto. 

Como é sua preparação para as provas?

Tenho dois preparadores físicos e um ciclo de treinamento ao longo da semana. Faço corrida, natação, moto, etc. E tenho um médico que acompanha minha parte nutricional, cardápio diferenciado e um acompanhamento de atleta de ponta mesmo. 

Você é uma referência do rali no Brasil, mas qual o nível do País perante o resto do mundo?

Quanto a competições, o Rally dos Sertões é um rali que tem crescido muito a cada ano e existe um projeto para ser o maior do mundo a partir de 2022. Temos uma geração muito talentosa de jovens pilotos, mas faltam investimentos e maior visibilidade na mídia. Patrocínios são basicamente de empresas ligadas ao rali. Não há investimento de empresas de fora e isso dificulta tudo, né?

Tudo o que sabemos sobre:
RaliJean AzevedoRali dos Sertões

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.