Jornalista fica nu em Silverstone

"Aposta se paga" afirmou neste domingo o popular jornalista inglês Bob McKenzie, do Daily Express, com bom humor. "Mas se eu soubesse jamais teria apostado dar uma volta a pé, nu, no circuito de Silverstone, em pleno domingo de GP da Grã-Bretanha." Mais de 100 mil pessoas vibraram ao ver McKenzie correndo na pista, com apenas uma bolsinha sexy que tinha o objetivo, nada atingido, de esconder um pouco sua genitália. O jornalista escreveu na sua coluna, ano passado, que se a McLaren vencesse uma etapa do Mundial percorreria nu os 5.141 metros de Silverstone."Meu pai ficou tenso a semana toda, meus amigos me perguntavam se era mesmo verdade que ele cumpriria o que prometeu", disse a filha de McKenzie, Lee, apresentadora de um programa de automobilismo da ITV."Coitado dele", comentava, também sem demonstrar grande constrangimento. McKenzie teve o corpo pintado "para disfarçar", como destacou. No seu peito, por exemplo, havia um volante estilizado, sendo que os dois mamilos, reforçados na tonalidade carmim, representavam dois dos muitos botões existentes. A cor geral do corpo era a prata, a da McLaren, equipe para quem perdera a aposta."Nigel Mansell, Jackie Stewart sempre me falaram do calor dos fãs nas arquibancadas em Silverstone. Hoje eu entendi melhor o que eles queriam dizer", falou o jornalista. "Por onde eu passava gritavam, chamavam pelo meu nome, batiam palma, soavam as buzinas. Era só eu fraquejar um pouco, cansar, que eles redobravam o apoio." Até os comissários o ajudaram. "Deram-me água, tiraram do bolso notas de 10, 20 libras e colocaram na bolsinha." Junto com o pessoal da McLaren, McKenzie recolheu com sua iniciativa doações para a instituição Tommy, que cuida de crianças carentes. "Vou saber exatamente quanto deu quarta-feira, mas o arrecadado já passa de alguns milhares de libras." Ron Dennis, diretor e sócio da McLaren, levou uma bandeira verde até a linha de chegada e a abaixou para autorizar o início da volta do jornalista, enquanto a multidão demonstrava amar, do lado de lá da cerca, tudo o que se passava. Bernie Ecclestone interveio quando soube que McKenzie iria concluir a volta no caminhão que transportava os pilotos para saldar o público. "Nada disso. Ele terá de chegar até aqui correndo. Pedi para Charlie Whiting ordenar o motorista do caminhão que reduzisse sua velocidade." A filha de McKenzie, que o aguardava na linha de chegada, comentou: "Será a volta mais lenta da história de Silverstone." A sala de imprensa recebeu seu ídolo com enorme fervor. Palmas intensas, prolongadas, assobios. Mas já estava vestido. "Da próxima vez vou apostar alguma coisa mais branda, quem sabe lavar os vidros da fábrica da McLaren...não isso também não porque é imensa. Ah, já sei, lavar o carro de Ron Dennis." McKenzie teve de aguentar, ainda, a gozação de Kimi Raikkonen, "o culpado", segundo o jornalista, por tudo que fora obrigado a passar. O finlandês venceu o GP da Bélgica, ano passado.Lee já previa o pior para o pai, não ficou surpresa: "Quando Kimi foi segundo aqui mesmo, em Silverstone, ano passado, comecei a me preparar para a desgraça", afirmou. "A vitória e a consequente tragédia seria uma questão de semanas." No dia 29 de agosto, a verdade: Kimi foi primeiro em Spa-Franchorchamps. Poucas vezes se riu tanto na Fórmula 1, em contraste com o clima tenso dos dias anteriores em razão dos atentados em Londres.

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