Lembra desse GP? Piloto atropelado, dobradinha brasileira e título na Hungria

Circuito de Hungaroring recebe provas de 1986 e sediou acontecimentos inusitados

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2013 | 08h00

SÃO PAULO - A alta temperatura do verão europeu é uma companhia certa dos pilotos para o GP da Hungria de Fórmula 1. Disputado desde 1986, a prova é realizada no travado circuito de Hungaroring, comumente comparado com Mônaco pela dificuldade em ultrapassar. Apesar das condições, a pista já sediou momentos inesquecíveis da categoria, com brasileiros como protagonistas, além de duas decisões de títulos. O Estado relembra as cinco principais corridas da história:

1986

Pela primeira vez a Fórmula 1 realizou uma etapa do mundial em um país pertencente à antiga Cortina de Ferro. A euforia no leste europeu era tamanha que 200 mil espectadores lotaram o autódromo. Quem foi, não se decepcionou. O show ficou nas mãos dos brasileiros. Ayrton Senna, da Lotus, era o pole-position, seguido por Nelson Piquet, da Williams. Os dois polarizaram a disputa pela ponta durante as 76 voltas. Uma manobra ousada de Piquet na volta 57 definiu quem era o vencedor. O piloto da Williams ultrapassou Senna por fora na forte freada da primeira curva e até precisou travar as rodas para conseguir segurar o carro. Os dois fizeram a dobradinha no pódio e o inglês Nigel Mansell, da Williams, completou o pódio. Em 1987, novamente os dois brasileiros fariam a dobradinha, novamente com vitória de Piquet.

1992

Pela primeira vez o mundial de pilotos foi decidido em Hungaroring. A 11ª etapa da temporada deu o primeiro título ao inglês Nigel Mansell, da Williams. O principal adversário era o seu companheiro de equipe, o italiano Riccardo Patrese. Para ser campeão e acabar com o estigma de ter sido três vezes vice, Mansell precisava no mínimo chegar em terceiro, desde que Patrese não pontuasse. No grid, o italiano era o pole-position, seguido pelo inglês, que largou mal e logo caiu para quarto, ao perder posições para as McLarens de Ayrton Senna e Gerhard Berger. Na 39ª volta tudo parecia resolvido para Mansell quando Patrese abandonou. Porém na volta 62 o inglês teve que parar nos boxes para trocar pneus e a 15 voltas do fim, era apenas o sexto colocado. Em uma impressionante recuperação, ele ultrapassou três pilotos e ainda contou com a quebra de Michael Schumacher, da Benetton, para terminar em segundo. Primeiro título mundial para Mansell e 35ª vitória na carreira para Ayrton Senna. Em 2001, seria a vez de Michael Schumacher garantir o título em Hungaroring.

1995

A corrida foi amplamente dominada pelo inglês Damon Hill, da Williams, que venceu de ponta a ponta. Porém as histórias curiosas daquela corrida tiveram como protagonistas pilotos que sequer chegaram ao fim. Rubens Barrichello, da Jordan, fez uma prova magnífica. Após largar em 14º, ele estava em terceiro até a última curva, quando o teve problemas no motor e abandonou a 400m de comemorar o pódio. Outro que roubou as atenções foi o japonês Taki Inoue, da Arrows. Na 13ª ele abandonou a prova com o motor fervendo. Encostou do lado de fora da pista, desceu do carro e foi buscar um extintor. Enquanto isso, um carro de segurança encostava ao lado para ajudar no resgate da Arrows quebrada. Desatento, o piloto voltava para apagar o princípio de incêndio quando foi atropelado. Por sorte, nada sofreu.

1997

O inglês Damon Hill viu uma façanha escapar na última volta. O então atual campeão mundial havia trocado a Williams pela fraca Arrows. A equipe tinha somado apenas um ponto nas dez etapas anteriores da temporada, graças ao sexto lugar de Hill na Grã-Bretanha. Portanto, alinhar o carro em terceiro no grid já era um feito e tanto. Mas ele fez mais. Deixou para trás o canadense Jacques Villeneuve, da Williams, e o pole-position Michael Schumacher, da Ferrari. Da 11ª volta até a 76ª Hill liderou. Porém nas voltas finais ele teve problemas hidráulicos que deixaram o carro  dele lento. Villeneuve conseguiu a ultrapassagem e venceu. Restou ao inglês chegar em segundo e dar o único pódio da história da equipe em 20 temporadas na Fórmula 1.

2010

O GP não é lembrado pela vitória do australiano Mark Webber, que venceu a disputa com o companheiro de equipe, Sebastian Vettel, e o espanhol Fernando Alonso, da Ferrari. A batalha mais emocionante e polêmica foi para chegar em 10º lugar, a última posição a marcar pontos. A seis voltas do fim, Rubens Barrichello, da Williams, tentou ultrapassar Michael Schumacher, da Mercedes. Os dois tinham sido colegas na Ferrari por seis temporadas e por diversas vezes o brasileiro teve de obedecer a ordens da equipe e deixar o alemão passar. Daquela vez, porém, Barrichello fez tudo ser diferente. Entrou na reta principal muito perto do carro do adversário e tirou de lado para passar. Schumacher, que naquela temporada retornava à Fórmula 1 depois de três anos fora, tentou fechar o espaço e por pouco não espremeu o brasileiro bater no muro. Em uma manobra perigosa, Barrichello tomou a posição e depois da prova, os dois trocaram farpas.

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