Alexander Klein/AFP
Alexander Klein/AFP

Frank Williams morre aos 79 anos: ele liderou a escuderia britânica da F-1 por mais de 50 anos

Referência no mundo do automobilismo, fundador da equipe Williams deixou a chefia do time em 2013, quando cedeu o comando para sua filha Claire

Redação, Estadão Conteúdo

28 de novembro de 2021 | 11h52

A Williams comunicou na manhã deste domingo a morte de Frank Williams, aos 79 anos. Empresário e chefe da equipe da Grove, o inglês era considerado uma lenda da Fórmula 1, pois viveu para o automobilismo. Em 2019, ele completou a marca de 50 anos exercendo o cargo de chefia na categoria.

"É com grande tristeza que, em nome da família Williams, a equipe pode confirmar a morte de Sir Frank Williams CBE, fundador e ex-chefe de equipe da Williams Racing, aos 79 anos de idade", publicou a escuderia em suas redes sociais.

Com nove títulos de Construtores e sete de pilotos, um deles conquistado pelo brasileiro Nelson Piquet, em 1987, a equipe fundada pelo britânico fez história na Fórmula 1. Ele e sua família estiveram no comando da Williams até agosto deste ano, quando o time foi vendido para o grupo de investimentos Dorilton Capital.

A filha dele, Claire, trabalhava como representante da famíllia e comandava a equipe no dia a dia desde 2013. Mais tarde, foi nomeada vice-chefe, mas o título de chefe sempre permaneceu com Sir Frank, que enfrentava problemas de saúde desde 2016, ano em que foi internado por causa de um pneumonia. Desde então, parou de viajar para as corridas.

"Ele foi um verdadeiro gigante do nosso esporte que superou os desafios mais difíceis da vida e lutou todos os dias para vencer dentro e fora das pistas. Perdemos um membro muito querido e respeitado da família F-1 e sentiremos muita falta dele. Suas incríveis conquistas e personalidade ficarão gravadas em nosso esporte para sempre. Meus pensamentos estão com toda a família e amigos Williams neste momento triste", lamentou Stefano Domenicalli, presidente e CEO da Fórmula 1.

Trajetória

Com uma vida inteira dedicada ao automobilismo, Frank Williams chegou a ser piloto e mecânico, mas foi como dirigente que contribuiu de forma decisiva para o crescimento da modalidade. Sob o seu comando, a Williams tornou-se uma das escuderias mais vitoriosas da Fórmula 1. Nesse período, foram 114 vitórias e ainda 128 poles obtidas.

Frank era o único remanescente dos tempos em que a F-1 era formada pelos chamados "garagistas", pessoas apaixonadas por corridas que apostaram em equipes caseiras sem a estrutura das grandes montadoras na década de 70.

Em 1977, ele fundou a Williams, tornou-se o chefe mais longevo da história da categoria, onde esteve no comando até 2013, quando então passou o bastão para a filha Claire Williams. Oito anos mais tarde, a equipe seria vendida para um fundo de investimentos.

Um dos dirigentes mais icônicos da categoria, o britânico teve também relação direta com o automobilismo brasileiro. Dos sete Mundiais de Pilotos que ele arrebatou, o de 1987 teve Nelson Piquet como campeão. Além do tricampeão mundial, outros brasileiros também correram sob o seu comando. Morto em 1994, Ayrton Senna disputou três provas daquela temporada até a morte no GP de San Marino. Antonio Pizzonia (2004 e 2005), Rubens Barrichello (2010 e 2011) e Bruno Senna (2012) também. Felipe Massa (2014 a 2017) foi o último a competir pela Williams.

Antes disso, em 1972, quando estava naquela que seria o embrião para a formação da sua escuderia famosa, ele trabalhou com outro brasileiro, José Carlos Pace, pela Frank Williams Racing Cars.

Em meio a essa trajetória de dirigente, o momento mais dramático aconteceu em 1986, e fora dos circuitos de corrida. Ele sofreu um grave acidente no Sul da França e teve uma lesão na coluna. Tetraplégico, passou a se locomover pelos boxes da F-1 em uma cadeira rodas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.