REUTERS/Amanda Perobelli
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Entenda como Hamilton virou queridinho dos fãs brasileiros na F-1 antes de ser ofendido por Piquet

Dono de sete títulos mundiais, piloto britânico já se disse 'um pouco brasileiro' e tem grande apoio de diversos fã-clubes no País

Marcos Antomil, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2022 | 15h00

Lewis Hamilton coleciona inúmeros fãs por onde quer que o mundo da Fórmula 1 aterrisse. Dono de sete títulos mundiais da categoria máximo do automobilismo, o britânico possui 29 milhões de seguidores no Instagram. Mas a relação com os brasileiros ganha novos ingredientes. A última vitória de Hamilton no Grande Prêmio de São Paulo fez aumentar a admiração dos torcedores locais ao piloto.

No Autódromo de Interlagos, em 2021, Lewis Hamilton fez uma corrida de recuperação impecável e elevou os ânimos na luta com Max Verstappen pelo título da temporada. Na ocasião, o britânico foi punido na definição do grid de largada para a corrida sprint, precisando partir em último lugar. Hamilton terminou a sprint em quinto, mas precisou trocar de motor e caiu para 10º. No dia da prova, o piloto inglês escalou as posições e venceu a batalha com o holandês da Red Bull.

Após a vitória, o piloto da Mercedes repetiu uma cena eternizada pelo tricampeão Ayrton Senna e pegou uma bandeira do Brasil, com a qual desfilou por todo o autódromo. O britânico levou o estandarte para o pódio e reafirmou sua paixão pelo País. O grande apoio do público em Interlagos motivou Hamilton a brigar até a última volta da temporada pelo oitavo título, mas quem ficou com o troféu foi Verstappen.

Lewis Hamilton nunca escondeu sua admiração por Ayrton Senna. O tricampeão é fonte de inspiração para diversos pilotos no grid da Fórmula 1, mas com o britânico essa contemplação transcende esse papel e se transforma em um encanto ímpar pelo Brasil. "Ayrton era o piloto que eu queria ser. Tem um pouco de Brasil em mim", disse o inglês em evento realizado em São Paulo, em abril. "Neymar me convida para ir ao Brasil todos os anos. Quero passar mais tempo no Brasil e aprender mais dessa cultura", afirmou o britânico, referindo-se à amizade que guarda com o astro do futebol brasileiro.

FRUSTRAÇÃO BRASILEIRA EM PRIMEIRO TÍTULO

Hamilton iniciou sua jornada na Fórmula 1 em 2007. Na McLaren, o britânico desafiava o companheiro de equipe Fernando Alonso, que defendia o título mundial. Na Ferrari, os rivais eram Felipe Massa e o finlandês Kimi Räikkönen. Logo em sua primeira temporada, Hamilton poderia ter saído campeão. Mas erros de principiante na reta final do ano deixaram em aberto o título na última etapa, em Interlagos. Räikkönen venceu a corrida, ficou com o troféu do mundial de pilotos e frustrou os sonhos da escuderia de Woking.

Em 2008, o cenário tinha menos personagens e um novo antagonista. Felipe Massa era o principal concorrente pelo título. Novamente, o Brasil foi palco da corrida derradeira. Massa foi o primeiro a cruzar a linha de chegada e naquele momento comemorava o título. Segundos depois, com a pista molhada, Hamilton ultrapassou o alemão Timo Glock e causou enorme tristeza na torcida brasileira, que esperava soltar o grito de campeão, preso desde 1991.

A partir de 2014, Hamilton passou a liderar uma hegemonia na Fórmula 1, rompida apenas nesta temporada em que a Mercedes passa por grandes dificuldades. Seis títulos mundiais depois, Hamilton juntou diversos fãs e passou a se dedicar a outras causas sociais, preocupado com a discriminação e o racismo.

RACISMO

Hamilton é voz ativa na luta antirracista na Fórmula 1. Ele trouxe para o automobilismo os protestos do movimento "Black Lives Matter" em 2020. Único negro no grid da categoria, o britânico reconhece a relevância de sua posição e como os seus feitos motivam jovens negros a realizarem seus sonhos.

"Sempre fui o único negro nos boxes. Quando eu perguntava o motivo, nunca ouvi uma resposta satisfatória. Acho que eles não estavam realmente interessados em achar uma resposta", afirmou Hamilton, que também lidera uma fundação pela diversidade no automobilismo e foi o responsável pela criação da Mission 44, para capacitação profissional e inclusão de pessoas negras.

Nas últimas semanas, tomou conta do noticiário esportivo a declaração racista que o ex-piloto Nelson Piquet fez em referência a Hamilton, chamando-o de "neguinho". Teve pedido de desculpas e depois novas ofensas foram descobertas em falas do brasileiro. "Vamos mudar a mentalidade", escreveu em português o britânico nas redes sociais, além de clamar pelo fim das atitudes arcaicas que ainda tomam conta da sociedade sobre racismo e qualquer tipo de preconceito.

UM POUCO MAIS BRASILEIRO

Lewis Hamilton está próximo de se tornar cidadão paulistano. A Câmara Municipal de São Paulo está avaliando a concessão do título para o britânico. O piloto da Mercedes também será agraciado com o título de cidadão brasileiro honorário. A Câmara dos Deputados já aprovou a resolução no início de junho.

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