Henry Romero/Reuters
Lewis Hamilton, piloto da Mercedes e hexacampeão mundial de Fórmula 1. Henry Romero/Reuters

Lewis Hamilton se torna um grande líder até fora da pista

Hexacampeão mundial tem feito críticas à falta de diversidade racial na principal categoria do automobilismo

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2020 | 05h00

Principal protagonista da Fórmula 1 nos últimos anos, Lewis Hamilton brilhou nos últimos meses, mesmo longe das pistas. Sob o estímulo do hexacampeão mundial, a cúpula da categoria até criou o programa “We Race as One” (Nós corremos como um, em português) para combater o racismo e promover a diversidade na categoria.

O programa foi lançado um dia depois de o britânico participar, disfarçado, de um protesto contra o racismo em Londres. Antes discreto diante de perguntas sobre discriminação, Hamilton abraçou a causa na esteira das manifestações geradas pela morte do americano George Floyd, um homem negro, pela polícia nos Estados Unidos.

“Ele vem se posicionando de uma forma que precisamos elogiar e respeitar. Sabe como ninguém na F- 1 sobre a questão do racismo. Ele sentiu na pele a mudança de quando era um piloto iniciante e depois que cresceu na carreira. Tem autoridade para falar sobre este assunto”, comenta Luciano Burti, ex-piloto de F-1 e comentarista da Globo.

Único piloto negro na história da categoria, Lewis Hamilton também criou uma comissão para promover a diversidade no esporte, a partir de uma parceria com a Royal Academy of Engineering.

As equipes da Fórmula 1 encamparam a ideia e passaram a exibir imagens de arco-íris nas redes sociais. A McLaren até estampou as cores no halo, a proteção instalada sobre o cockpit do carro.

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Fórmula 1 recomeça tendo que lidar com impasses, especulações e prejuízos

Campeonato enfim terá início no fim de semana, com várias indefinições sobre o futuro, a começar por esta temporada

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

29 de junho de 2020 | 05h00

Quatro meses após os testes da pré-temporada, o Mundial de Fórmula 1 enfim terá início no fim de semana. O campeonato será aberto pelo GP da Áustria, que originalmente seria apenas o 11.º do ano. A drástica mudança escancara o que foram os últimos meses para a categoria, com impasses, dúvidas e seguidas alterações no calendário.

A pandemia do novo coronavírus tornou a temporada 2020 uma das mais tumultuadas da história de 70 anos da F-1. A indefinição teve início com o cancelamento de última hora do GP da Austrália, que deveria abrir o campeonato no dia 15 de março. Os pilotos nem chegaram a participar do primeiro treino livre. Ou seja, não entram na pista desde os testes da pré-temporada em Barcelona, no fim de fevereiro.

“Isso nunca aconteceu. O nosso mundo nunca viveu da forma como está hoje. A FIA está fazendo passo a passo. Até agora confirmou só a fase europeia, enquanto está organizando as outras corridas fora da Europa”, afirma Luciano Burti, ex-piloto de F-1 e comentarista da TV Globo.

Nestes quatro meses longe do asfalto, os pilotos viram o calendário sofrer um brusco encolhimento. As 22 etapas, que seriam um recorde na F-1, se tornaram apenas oito até agora. Ficaram pelo caminho até provas tradicionais, como as de Mônaco e do Japão. O GP da Holanda precisou adiar sua reestreia.

“Eu nunca tinha visto isso desde que acompanho a F-1, desde criança. A F-1 tinha sempre aquela imagem de que não muda nunca. O que está acontecendo é exceção, como vem acontecendo com tudo no mundo”, diz Tarso Marques, brasileiro também com passagem pela categoria.

Preocupada com as indefinições, a direção da F-1 fez algo incomum ao promover rodadas duplas no mesmo circuito, tanto na Áustria (também no dia 12) quanto na Inglaterra (dias 2 e 9/08). As outras corridas confirmadas serão na Hungria (19/07), Espanha (16/08), Bélgica (30/08) e Itália (6/09). “A logística não é simples, mas as rodadas duplas facilitam essa questão”, avalia Burti.

Depois da prova italiana, o calendário é uma incógnita. Adiados, os GPs do Bahrein, Vietnã, Canadá e China ainda podem ser disputados este ano. As corridas na Rússia, EUA, México, Abu Dabi e até no Brasil continuam em aberto. E, mesmo fora da categoria nos últimos anos, circuitos conhecidos, como os de Mugello (Itália), Ímola (San Marino) e Algarve (Portugal), podem reaparecer este ano.

NO GRID

O clima de indefinição atingiu também o mercado de pilotos. O alemão Sebastian Vettel foi o protagonista ao anunciar que deixará a Ferrari no fim do ano. Ele não definiu o seu futuro, o que dá combustível para novas especulações. A mais forte delas é uma futura parceria com Lewis Hamilton na Mercedes. A saída de Vettel causou um efeito dominó. Para o seu lugar, o time italiano contratou Carlos Sainz Jr. A vaga do espanhol na McLaren será preenchida pelo australiano Daniel Ricciardo. E, para o lugar vago na Renault, Fernando Alonso passou a ser cogitado, num eventual retorno à F-1.

No mundo das equipes, a pandemia significou prejuízos, apesar da aprovação da redução do teto orçamentários dos times para 2021. Para Williams e McLaren, a medida talvez não seja suficiente para manter as contas no azul. A situação ficou tão difícil que o Grupo McLaren demitiu 1.200 funcionários e cogita vender até 30% de suas ações para levantar recursos.

Após perder seu principal patrocinador, a Williams praticamente se colocou à venda ao abrir as portas para investidores. E recebeu um empréstimo de 50 milhões de libras (R$ 325 milhões) do empresário Michael Latifi para manter as contas em dia. Ele é pai do canadense Nicholas Latifi, que estreará na F-1 pela mesma equipe.

A pandemia, na avaliação de Luciano Burti, poderá trazer aprendizados decisivos para o futuro da categoria. “A Fórmula 1 talvez terá de ver o quanto é importante uma saúde financeira para as equipes. Sem dúvida este foi um grande aprendizado”, afirmou o brasileiro. /  Colaborou Ciro Campos

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