Carlos Jasso/Reuters
Carlos Jasso/Reuters

Lewis Hamilton tem neste domingo a primeira chance do hexa na Fórmula 1

Combinação de resultados pode dar ao piloto inglês o seu sexto título na maior categoria do automobilismo, o quinto consecutivo

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 04h30

Lewis Hamilton terá neste domingo, a partir das 16h10 (horário de Brasília), no GP do México, a primeira de quatro chances de selar o hexacampeonato na Fórmula 1. Uma combinação de resultados envolvendo o finlandês Valtteri Bottas, seu companheiro na Mercedes, pode assegurar o feito no Autódromo Hermanos Rodríguez. Se o título vier, o inglês vai confirmar uma nova e poderosa dinastia na categoria, com cinco troféus em apenas seis anos, algo comparável somente a lendas como o argentino Juan Manuel Fangio e o alemão Michael Schumacher.

O inglês larga em terceiro na prova. Fez o quarto tempo no treino oficial, mas ganhou uma posição porque Max Verstappen, que com 1min14s578 fizera a pole, foi punido com a perda de três posições por não ter reduzido a velocidade quando Bottas bateu. Charles Leclerc herdou a pole, com Sebastian Vettel completando a primeira fila da Ferrari. Bottas larga em sexto.

Para faturar o hexa no México, Hamilton precisará somar 14 pontos a mais que Bottas. Entre diversas combinações, será campeão se vencer a corrida e conquistar o ponto extra pela volta mais rápida desde que o companheiro de equipe não passe do quarto lugar. Ou se apenas faturar a vitória e Bottas ficar em quinto. Caso o título seja confirmado, será a terceira vez seguida que o inglês se sagrará campeão em solo mexicano.

Estes feitos obtidos em anos consecutivos já tornam Hamilton nome quase hegemônico em sua “era”. Raros foram os pilotos que impuseram tal domínio por temporadas seguidas. Os mais conhecidos são Fangio e Schumacher, mas Vettel também fez história no início da década ao empilhar quatro títulos seguidos, pela Red Bull. 

No quesito títulos consecutivos, Schumacher segue imbatível. Foram cinco troféus, entre 2000 e 2004, ano em que assombrou o mundo com sua Ferrari ao vencer 13 das 18 corridas. A dinastia do heptacampeão começou com o bicampeonato de 1994 e 1995, pela Benetton. Dos seguidos recordes batidos à época, um deles segue em pé: o de 91 vitórias.

Mas esta estatística está com prazo de validade perto de vencer. Hamilton já soma 82 e tem contrato com a Mercedes até 2020. O inglês, contudo, já supera o alemão no aproveitamento geral. Na comparação vitórias por número de corridas, ele exibe a marca de 33,3% (82 triunfos em 246 provas), contra 29,6% (91/307) de Schumacher.

Se for campeão hoje, Hamilton superará o alemão ainda com maior vantagem no aproveitamento. Será de 46,1% (seis títulos em 13 campeonatos), contra 36,9% (sete em 19).

Mas o inglês vai continuar atrás de Fangio. O pentacampeão exibe 47% de aproveitamento no mesmo quesito. E também é superior no rendimento de vitórias por corrida: 62,5%. O argentino foi um fenômeno na década de 50. Foram quatro conquistas seguidas. Venceu 24 das 51 provas que disputou, quase a metade. 

Fangio ainda não foi superado em outras estatísticas, como o aproveitamento de pole position (56,9%) e de pódios (68,7%). O inglês exibe 35,4% e 60,2%, respectivamente. O argentino também é reconhecido por ser o único campeão por quatro equipes diferentes. Hamilton e Schumacher venceram em dois times e Vettel foi campeão apenas com um.

Para o bicampeão Emerson Fittipaldi, os números mostram que Hamilton precisará mostrar ainda mais serviço para superar o argentino. “Todos têm um momento, este é o de Hamilton. E hoje é uma época diferente, como foi a de Schumacher”, disse à agência Efe. 

O francês Alain Prost, dono de quatro títulos, evita comparações. “É sempre difícil comparar gerações porque acho que é muito complicado ser um multicampeão em um período, principalmente quando o nível de performance dos times era de altos e baixos. Hoje é diferente, mas não tira o mérito dele. Lewis é certamente um dos melhores. É difícil ser campeão todo ano ou quase todo ano”, afirma o ex-rival de Ayrton Senna.

Se ainda não pode alcançar Fangio, o piloto inglês pode ostentar o incontestável domínio atual. Nos últimos anos, só não levou o caneco em 2016, quando foi vice do alemão Nico Rosberg, seu então parceiro na Mercedes. Nem mesmo o tetracampeão Sebastian Vettel consegue impor resistência ao britânico. O piloto da Ferrari tem aproveitamento de 30,8% no quesito títulos por temporada. E de 22,5% em vitórias por corrida.

A dinastia criada pelo inglês já é reconhecida pelas principais lideranças da F-1. “Muito do sucesso da Mercedes se deve a Lewis Hamilton. É um piloto incrível”, afirma Ross Brawn, atual diretor técnico da F-1, com passagens pela Ferrari e pela própria Mercedes.

Brawn não esconde a surpresa com a evolução do inglês desde o primeiro título, obtido com a McLaren, em 2008. “Você simplesmente não sabe de onde vem o desempenho dele. Todos acham que sabem qual é a referência e, de repente, ele faz algo que muda a referência. Tive a sorte de ver isso às vezes com Michael Schumacher. Vi também com Ayrton Senna.”

O inglês, porém, não é unanimidade. Para Jackie Stewart, tricampeão da F-1, ele conta com a vantagem dos altos investimentos da Mercedes. “Hamilton demonstrou que é o melhor, mas também é o que possui mais recursos porque sua equipe é a que mais investe.”

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