Arnd Wiegmann/Reuters
Arnd Wiegmann/Reuters

Lições do esporte são aplicadas no mundo dos negócios nos EUA

Instituto cria curso que usa experiência no desenvolvimento de carros para executivos de grandes empresas

The York Times

29 de novembro de 2018 | 11h00

A Fórmula 1 é um esporte de altíssima tecnologia. Motores e pilotos podem ser o coração dos carros de corrida, mas eles também são computadores rolando sobre quatro pneus. Equipes trabalham incessantemente para melhorá-los. Uma das formas é investir em inovação por meio da competitividade. Para promover essa inovação, dirigentes de escuderias precisam mobilizar equipes de centenas de pessoas e criar o ambiente para que novas ideias floresçam.

O sucesso da Fórmula 1 em inovação criou não apenas fãs, mas também chamou a improvável atenção do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MTI), que se perguntou: poderia a abordagem usada no esporte ser ensinada a executivos de negócios? É o que O MIT e a Fórmula 1 estão tentando.

Juntos, eles criaram um curso de gestão chamado F1 Extreme Innovation Series, em tradução livre, Curso de Inovações Extremas da F-1. “A Fórmula 1 situa-se na intercessão da tecnologia e do gerenciamento, assim como a MIT Sloan School of Management”, disse Ben Shields, professor dessa escola de administração e diretor do curso de inovação. Ele já trabalhou na rede de TV ESPN com Sean Bratches, diretor comercial da Fórmula 1, que o convidou para a criação do curso.

“Nossas respectivas organizações estão muito alinhadas nesse trabalho”, disse Shields. “A Fórmula 1 o aborda de sua própria perspectiva, enquanto nós do MIT o abordamos de uma perspectiva voltada para a educação e a pesquisa.”

“Temos ambos grande interesse nas mesmas questões, o que torna esse evento em particular interessante para as duas organizações”. O curso dura um dia e atrai executivos de vários países e áreas, que participam das palestras e seminários com professores do MIT e técnicos da Fórmula 1.

A sessão inaugural foi realizada no autódromo de Austin, Texas, na área destinada às escuderias, com vista para o autódromo, antes do Grand Prix dos EUA, em outubro. Foram discutidos conflitos que ocorrem em locais de trabalho e podem levar a inovações.

Shields explicou que promover a sessão num autódromo permite a imersão dos executivos diretamente no mundo do esporte, tornando as lições mais memorizáveis.

“Os participantes dão um giro pela pista e conhecem as escuderias”, disse ele. Além das discussões teóricas do curso, eles têm uma aula prática ao vivo ao assistir à corrida. “Fazer essa conexão in loco é uma experiência única e gratificante para nós como educadores.”

Nas sessões, Nelson Repenning, do MIT, trabalha junto com Rob Smedley, chefe do departamento de desempenho de carros da equipe Williams.

Repenning apresenta estudos sobre administração realizados pelo MIT, e Smedley tira de seus 17 anos de experiência na F-1 exemplos de como ele criou conflitos entre departamentos para promover inovação. “Temos um conjunto muito diversificado de técnicos: equipe de desenho mecânico, de aerodinâmica, de engenharia de pneus, de softwares, de simulações, pilotos, cientistas”, disse Smedley.

“Temos geeks (fanáticos por tecnologia) de todo tipo que se possa imaginar. É preciso fazer com que todos trabalhem juntos para criar conflitos positivos e, assim, tirar deles o que têm de melhor.”

Darren Learmonth, chefe de inovação e tecnologia da HID Global, de Austin, uma empresa de governança e administração, frequentou o curso no Texas e disse que está usando o que aprendeu. “Na Fórmula 1, procurar reduzir milésimos de segundo numa volta é tudo. No mundo dos negócios é diferente, mas a busca do melhor desempenho final é a mesma. E isso meu mundo entende.” 

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