Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2015 | 03h00

O circuito de Barcelona é aquele em que a lógica prevalece sempre, deixando longe as zebras. Um grid formado apenas pelos carros das cinco melhores equipes ocupando as cinco primeiras filas não surpreende. Este ano vivemos uma situação um pouco diferente, porque ainda há uma indefinição na disputa pelo posto de terceira força da F-1, entre Williams, Red Bull e também a Toro Rosso, além da Lotus correndo por fora. Mas isso pode, no máximo, evitar que carros de uma mesma equipe ocupem cada uma dessas cinco primeiras filas, embaralhando um pouco os pilotos.

O certo mesmo é que a Mercedes e a Ferrari - que se livrou de uma breve ameaça da Williams nas primeiras corridas - devem garantir as duas primeiras filas de amanhã. Mesmo assim, se eventualmente Rosberg estiver fora da primeira, não será tão zebra assim, diante da falta de confiança que o atormenta depois de quatro poles seguidas de Hamilton e três vitórias (a outra foi de Vettel).

A comparação com o ano passado é, de fato, assustadora para Rosberg. Em 2014 foi apenas nessa, que é a quinta corrida do ano, que ele perdeu a liderança do campeonato para Hamilton, mesmo continuando quase empatado no número de voltas lideradas. Agora, soma apenas cinco voltas na liderança, atrás de Raikkonen (8), Vettel (46) e muito distante do companheiro, que tem 168. Durante os treinos de ontem ele e o engenheiro Tony Ross chegaram a ter um tratamento ríspido numa conversa pelo rádio.

O predomínio da lógica no circuito de Montmeló tem uma explicação simples. É a pista que as equipes conhecem melhor pelo fato de ser onde treinam em oito dos 12 dias da pré-temporada. E mesmo quando não havia restrição aos treinos livres, já era em Barcelona que as equipes faziam seus treinos de inverno.

O que ocorre excepcionalmente este ano é que a Toro Rosso apareceu com um ótimo carro já na pré-temporada, a Williams se manteve no bom nível do ano passado, a Red Bull começou mal, mas já vem reagindo, a evolução do motor Ferrari levou a Sauber a aspirar melhor sorte e o carro da Lotus combinou bem com o motor Mercedes.

Tudo isso somado resulta numa disputa muito equilibrada pela terceira fila, que, pelo menos neste fim de semana, tem a Toro Rosso de Carlos Sainz Jr. e Max Verstappen como grande ameaça à Williams de Felipe Massa e Valteri Bottas. Mas a ameaça de pelo menos um carro da Red Bull e um da Lotus deve ser considerada.

A Sauber de Felipe Nasr aparece depois de todas essas equipes. Pela lógica, luta com os pilotos da Lotus pela sexta fila, sem esquecer que a McLaren já começa a incomodar e a tendência é se tornar competitiva em breve. Daqui para a frente, cada vez que Nasr marcar ponto será um feito excepcional. Mas, independentemente disso, a atitude do brasileiro, que terminou todas as primeiras quatro corridas na F-1, é o que mais chama a atenção. Em duas dessas quatro ele marcou 14 pontos (5.º e 8.º) e nas outras duas terminou em 12.º, sempre demonstrando combatividade e equilíbrio emocional.

Na Williams, Massa está um ponto à frente de Bottas numa disputa apertada como já se esperava. O finlandês tem um bom histórico por ter largado na 4.ª posição no ano passado, e tanto ele quanto Massa lideraram pelo menos um dia dos treinos livres da pré-temporada no começo de março.

Montmeló não tem traçado complicado, mas exige um carro bem equilibrado especialmente nas curvas de média velocidade. Por isso usa-se regulagem de alta pressão aerodinâmica (nível 8 em 10) mesmo existindo uma reta longa. O asfalto, de aparência suave, é do tipo de consome borracha pra valer. Tanto que a Pirelli escolheu os dois pneus mais resistentes (duro e médio), até então usados apenas na Malásia.

Uma curiosidade do circuito é que o vento muda de direção da manhã para a tarde, o que faz com que os tempos obtidos no treino matinal, com o vento a favor na reta principal, são sempre melhores. Mas a classificação que define o grid e também a corrida ocorrem à tarde, quando o vento muda em 180 graus e sopra contra os carros em plena reta. O último treino livre de hoje será pela manhã (às 6h de Brasília), mas a classificação será às 14 horas (9h no Brasil).

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